A USA Rare Earth avança na aquisição da Serra Verde, mineradora de terras raras instalada em Minaçu, no norte de Goiás. A operação prevê um aporte direto de US$ 750 milhões do governo dos Estados Unidos, cerca de R$ 3,8 bilhões, dentro de um negócio estimado em US$ 1,55 bilhão, aproximadamente R$ 7,7 bilhões.
A conclusão da transação ainda depende da aprovação dos acionistas da Serra Verde, que devem analisar o acordo em assembleia marcada para esta sexta-feira (28).
A operação ocorre em meio à disputa internacional pelo controle da cadeia de terras raras. A China concentra grande parte da produção e do processamento desses minerais, o que levou os Estados Unidos a buscar alternativas de fornecimento para setores considerados estratégicos.
A Serra Verde produz terras raras a partir de argila iônica na mina Pela Ema. Entre os minerais extraídos estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Esses elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes, componentes empregados em motores elétricos, equipamentos industriais e sistemas de defesa.
O interesse americano, portanto, vai além da aquisição de uma empresa brasileira. A operação insere uma mina localizada em Goiás na estratégia dos Estados Unidos para ampliar fontes de abastecimento de minerais considerados relevantes para sua indústria.
Acordo prevê crédito e compra de minerais
Além do aporte direto, a estrutura anunciada para a operação prevê uma linha de crédito bancário de até US$ 500 milhões. O acordo também estabelece a possibilidade de os Estados Unidos comprarem pelo menos US$ 300 milhões em minerais produzidos pela empresa ao longo de cinco anos.
O desenho da operação reduz parte do risco financeiro da aquisição e, ao mesmo tempo, cria um canal de fornecimento de terras raras para o mercado americano.
Para o Brasil, o movimento amplia a relevância de Goiás em uma cadeia marcada pela disputa entre grandes potências e pela busca de fornecedores fora da Ásia.
Próximo movimento depende dos acionistas
O ponto imediato para a conclusão da operação é a assembleia de acionistas da Serra Verde. Caso o negócio seja aprovado, a USA Rare Earth avançará para assumir o controle da mineradora e integrar a produção de Minaçu à sua estratégia de fornecimento.
A operação também será acompanhada pelo mercado de minerais críticos, já que o acesso a terras raras passou a ter peso crescente em setores como veículos elétricos, tecnologia e defesa.
