O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) realizou, nesta quarta-feira (12/8), a primeira infusão do medicamento Zolgensma para tratar Atrofia Muscular Espinhal (AME) 5q. O paciente, de seis meses, recebeu a terapia genética em dose única pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A aplicação marca a entrada do hospital em um nível de alta complexidade no atendimento a doenças raras. O Zolgensma é considerado um dos tratamentos mais avançados disponíveis para a AME.
O procedimento exigiu avaliação clínica rigorosa, confirmação de indicação e preparação de equipes.
O que é a AME 5q
A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença genética rara e progressiva. Ela compromete os neurônios motores responsáveis por funções como movimento, respiração e deglutição.
As alterações genéticas interferem na produção de uma proteína necessária à sobrevivência dessas células. Com a evolução, o paciente pode perder força e massa muscular de forma progressiva.
O diagnóstico precoce é decisivo. Quanto antes a doença é identificada, maiores são as chances de o paciente ser avaliado e, quando indicado, ter acesso ao tratamento adequado.
Critérios e preparação da equipe
Para receber a terapia, o paciente passou por etapas previstas nos protocolos do SUS. Exames e critérios de elegibilidade fizeram parte do processo.
O Hecad estruturou fluxos assistenciais e cuidados para a administração do medicamento. Os profissionais participaram de capacitações específicas sobre a infusão e o acompanhamento.
A diretora técnica assistencial do Hecad, Flávia Godoy, afirma que o processo vai além do momento da aplicação.
“É um processo que vai muito além do momento da infusão. Cada etapa exige avaliação criteriosa, preparação da equipe e acompanhamento do paciente. O cumprimento dos protocolos e a atuação integrada dos profissionais são fundamentais para que o procedimento seja realizado com segurança”, destaca.
Como funciona o Zolgensma
O Zolgensma atua na causa genética da AME. O medicamento fornece ao organismo uma cópia funcional do gene responsável pela produção da proteína necessária à sobrevivência dos neurônios motores.
Trata-se de uma terapia de dose única. O valor estimado é de R$ 10,457 milhões por dose.
O Ministério da Saúde forneceu o medicamento ao hospital. A incorporação desse tipo de tratamento representa avanço na assistência pública a doenças raras.
Acompanhamento após a infusão
A realização da primeira infusão no Hecad amplia o acesso a tecnologias de alto custo no SUS. Também fortalece a capacidade do hospital para atender casos complexos.
A estruturação de fluxos assistenciais e a capacitação profissional indicam que o serviço ganha condições para repetir o procedimento com segurança.
O paciente seguirá sob acompanhamento da equipe assistencial do Hecad. O monitoramento após a infusão é etapa essencial para avaliar a evolução clínica e as condições de saúde da criança.
A continuidade do tratamento exige acompanhamento contínuo. A equipe do Hecad monitorará a resposta do paciente à terapia genética.
Os protocolos clínicos definem as próximas avaliações. O caso também deve gerar dados importantes para a consolidação do serviço no hospital.
