Definido Adriano da Rocha Lima (PSD) como vice de Daniel Vilela (MDB), e muito havendo em contrário (Veja abaixo link sobre a escolha), algumas avenças e ordinárias providências entram em cena imediatamente.
O que está em curso, até que se prove o contrário.
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A tese da panelinha.
Marconi Perillo (PSDB) tem a comemorar a escolha de Adriano. Oportunidade única de tentar reeditar 1998.
Gustavo Mendanha (PRD), candidato ao Senado que, para governistas, “tira” votos principalmente de Gracinha Caiado (leia colunas anteriores), será o novo Maguito Vilela.
Maguito, candidato a senador em 98, foi eleito mesmo com a derrota de Iris Rezende para o moço da camisa azul Marconi Perillo.
Têm motivo racional Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso (ambos PSD) colocados mais de lado na estratégia governista (uma parte) que se vê neste momento.
2
A tese da panelinha não afeta exclusivamente Caiado. Ela acerta também Daniel.
Caiado quer fazer de Gracinha Caiado, senadora, e de Adriano, seu primo, o vice.
Não quer por capricho. Quer por cálculo político. O vice deve assumir em abril de 2030, e outro governador será eleito. Adriano é a trava de segurança.
E como fica?
Daniel tem o tio Gean Carvalho como principal secretário do governo, e tem o primo Leandro Vilela na prefeitura de Aparecida. Leandro foi bancado por Caiado, que entrou com tudo na campanha. Leandro nunca foi o favorito. Nem morava lá, até a véspera da eleição.
No governo, Gean representa para Daniel o mesmo que Adriano representava para Caiado. Um, o fiel escudeiro do outro.
Logo, o problema da panelinha é problema compartilhado. Não é demérito exclusivo.
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O contraponto a isso é a visão de que Adriano, em vez de ser um peso, venha a ser uma solução.
Questão de comunicação competente (a ver), em governo onipresente na mídia, para vender o peixe: Adriano é o elemento de prova de que Caiado estará comprometido com o governo Daniel. Um é e será o outro.
Adriano é o garantidor de que o governo Caiado, aprovado pelos goianos (mostrou recente Quaest – leia colunas anteriores), terá continuidade. Exatamente o discurso hoje de base na pré-campanha de Daniel.
4
A tese da panelinha já foi usada e é conhecida.
Se o governo, com a estrutura de comunicação (marketing) que comanda, junto com a estrutura política que tem em mãos, não consegue criar vacina eleitoral para fazer prevalecer a sua vontade e a sua narrativa, uma questão se impõe: como quer ganhar a eleição?
Acusar o golpe será o primeiro sinal de fraqueza.
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Pesquisas internas do governo já mediram o impacto da decisão de Caiado e o resultado é que Adriano na vice não muda o favoritismo de Daniel. Foi inclusive o que deu conforto a Caiado para tomar a decisão.
Vice é assunto em pré-campanha e no caso do eleito precisar assumir. Em campanha, costuma desaparecer na paisagem das agendas, com raras exceções.
Entra a favor a nova rodada Quaest, que mostra a força do fator garantidor de Caiado a Daniel, se bem embalado. (Leia abaixo e colunas anteriores).
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Daniel vai cruzar os braços e deixar Caiado e Gracinha sozinhos? Como faria isso? E Caiado, não reagiria na campanha e/ou depois?
São os fatos.
Ronaldo Caiado está ciente e atento aos passos de Daniel nos bastidores desde que a decisão foi comunicada e passou a ser digerida.
Até o anúncio, em tese, tudo pode mudar. Mas cada dia com sua agonia: o fato consolidado se estabelece das noites mal-dormidas para o dia da convenção.
DANIELISTAS X CAIADISTAS
A tese de que Caiado precisa mais de Daniel do que o contrário está no radar. Está espalhada e tem origem detectada.
Um eventual Danielistas X Caiadistas traz à lembrança os primórdios do distanciamento entre maguitistas e iristas, que o tempo consolidou. O que remete ao item 1.
Em 1998, Maguito Vilela era governador de Goiás e poderia ir à reeleição. Tinha vencido os oposicionistas Ronaldo Caiado e Lúcia Vânia em 1994.
Uma oposição consistente como não existe agora, formada por lideranças bem constituídas em grupos próprios (ainda: Nion Albernaz, Pedrinho Abrão, Roberto Balestra, Henrique Santillo, Otávio Lage e outros), e que depois se uniram em torno de um só nome: Marconi.
Na versão de maguitistas, Iris Rezende não deixou Maguito ser candidato. Impôs sua vontade de voltar ao governo.
Na versão de iristas, Maguito titubeou no início do ano por conta de assuntos particulares, que poderiam desgastá-lo. Quando voltou atrás, Iris já estava com a campanha aprumada.
Maguito terminou o ano eleito senador, Iris virou candidato a governador derrotado.
Foi durante a campanha, especialmente quando ficou configurada a queda de Iris, que os desabafos de lado a lado nos bastidores entraram para a História. A daquele ano e a futura.
Os iristas acusam os maguitistas de cruzar os braços, deixando Iris à própria sorte.
Os maguitistas acusam os iristas de ter cavado a própria derrota ao negar a Maguito o “direito” à reeleição.
REPICAR DA PANELINHA
A “panelinha”, que virou marca no marketing da campanha de Marconi Perillo, surgiu da familiocracia no poder emedebista.
Incluía dona Iris Araújo como suplente na chapa de Maguito e o governo de Goiás nas mãos do parente Naphtali Alves. Naphtali era governador desde abril, com a renúncia de Maguito.
Iris e Maguito nunca romperam, pessoalmente. Porém, nunca mais foram os mesmos aliados.
Iristas e maguitistas sempre se bateram no interior do MDB em uma persistente guerra fria.
Com desdobramentos que remetem:
1 – à cobrança de falta de apoio a dona Iris Araújo na disputa para deputada federal, quando Maguito era prefeito de Aparecida de Goiânia;
2 – à pouca disposição de Iris com a candidatura de Daniel Vilela ao governo, em 2018, contra Caiado;
3 – com a falta de empenho pessoal de Iris na candidatura de Maguito a prefeito de Goiânia, em 2020;
4 – até a costura de Iris com Caiado para Daniel ser o vice em 2022, o que resultou no comando do governo e na possibilidade de reeleição este ano.
Caiado viu tudo acontecer na sua frente. Fez acontecer. Protagonista no passado, protagonista no presente. Apenas em perspectivas diferentes.
Em 1998, Caiado estava ao lado de Marconi contra Iris e Maguito. 28 anos depois, Caiado está ao lado de Daniel contra Marconi.
OUTRO LADO DO JOGO
Eleição não é para amadores.
Marconi torce – e talvez reze – para desarmonia no bunker inimigo. Adriano pode ser a bomba que faltava a seu favor. É o cálculo.
Com poder de fogo reduzido e chances limitadas diante das máquinas governistas, contar com o fogo amigo é receber as graças de um milagre de campanha.
Marconi age na convicção de que Wilder não é o adversário.
Parte do princípio de que está no 2º turno e que precisa de imediato apenas abalar as estruturas de Daniel e Caiado.
Feito isso no 1º turno, no 2º turno a vitória virá naturalmente.
Caiado joga com a vitória no 1º turno. Mas pode jogar também com a derrota no 2º. A Daniel, o risco.
Na sua linha de frente:
a) aceitar Adriano e ir com tudo para vencer, para depois, reeleito, ver como administrar o fato de que Adriano não é o vice que gostaria de ter, ou…
b) …lutar em duas frentes: contra Caiado/Adriano e contra Marconi, Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT)?
O bolsonarismo não deixou de ser uma incógnita. E o lado petista em uma hipótese de 2º turno nacional e local é incerto.
Wilder, embora tenha levado em banho-maria a campanha até as convenções, começa a se armar. E seu alvo principal será Daniel. Já começou.
E vejam: ao seu lado, como vice, está uma testemunha ocular de todos os fatos desde 1998: a filha de Iris e Iris, Ana Paula Rezende. Daniel sabe o peso disso.
CAIADO E DANIEL: QUEM PRECISA DE QUEM?
Diante da questão “Quem precisa de quem”, na base do governo e da campanha Caiado/Daniel, vale um olhar sobre a recente pesquisa Quaest. Um ponto a mais, diante de outros que já foram destacados.
A aprovação do governo Daniel Vilela é de 64%.
Ainda governador e no momento da renúncia, Caiado tinha aprovação de 84%.
Agora, atingiu 87% na memória da população.
87% ante 64%.
A oposição pode dizer: em três meses, Daniel conseguiu baixar a avaliação do governo em 23 pontos.
Porque, na propaganda do Estado e no discurso de campanha, o governo não mudou, merece continuar, pela alta aprovação. Ou não?
A comparação favorece a tese de que Daniel não conseguirá manter o sarrafo do governo Caiado, que já vem sendo usada por apoiadores de Marconi e Wilder em complemento às poucas críticas pontuais diretas ao governo Caiado.
(E é o que as pesquisas orientam: o alvo certeiro é Daniel. Caiado não é candidato a governador.)
Mas essa é uma leitura com bitola.
Considerando-se que transição mal administrada é um problema e traça destino negativo, a que foi conduzida por Caiado e a Daniel resultou em missão cumprida para o propósito da reeleição.
A aprovação do “governador” é alta o suficiente para, trabalhando-se bem a campanha, fazer o “candidato” ganhar. Sonhando com o 1º turno.
Então, responda rápido: quem precisa mais de quem?
Caiado precisa mais de Daniel, ou Daniel precisa mais de Caiado?
Caiado NÃO precisa de Daniel? Daniel NÃO precisa de Caiado?
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Para o futuro.
Na hipótese de Daniel/Adriano confirmados e eleitos, quem você acha que mais ganhará:
( ) eles
( ) Caiado
( ) os goianos ou
( ) as teorias da conspiração
Marque a resposta certa.
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