A revitalização do Lago das Rosas foi tema de audiência pública realizada na Câmara de Goiânia, que reuniu moradores, especialistas e representantes do poder público para discutir os impactos das intervenções previstas para um dos parques mais tradicionais da capital. O principal ponto de divergência envolve a retirada de 48 árvores apontadas pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) como comprometidas.
O debate foi proposto pela vereadora Kátia Maria (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Segundo a parlamentar, existem questionamentos sobre os laudos apresentados pela Amma e sobre a necessidade de retirada de parte dos exemplares listados para corte.
Além de representantes da Amma, participaram da audiência integrantes do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), moradores e frequentadores do parque.
Parte dos moradores presentes manifestou apoio à revitalização do Lago das Rosas, mas questionou os critérios adotados para a retirada das árvores e cobrou mais informações sobre o projeto.
Entre as dúvidas levantadas durante a audiência estão os critérios técnicos utilizados para definir os exemplares que deverão ser removidos, quais espécies serão replantadas, a origem dos recursos empregados na revitalização e o cronograma de execução das obras.
Representantes de movimentos ambientais também defenderam uma nova avaliação técnica dos exemplares incluídos no laudo da Amma.
A presidente da Amma, Zilma Peixoto, afirmou que um levantamento realizado em 2024 identificou árvores com comprometimento estrutural e potencial risco à segurança dos frequentadores do parque.
Segundo ela, alguns exemplares apresentam problemas fitossanitários, incluindo ataques de pragas e comprometimento das raízes. A gestora destacou que a retirada das árvores ocorrerá de forma gradual e que a primeira etapa da intervenção contempla sete exemplares.
Durante a audiência, o gerente de Arborização Urbana da Amma, Jeferson Pires Mendonça, defendeu o trabalho realizado pelos servidores responsáveis pelas avaliações técnicas e pediu respeito aos profissionais envolvidos nos levantamentos.
Por outro lado, moradores e especialistas presentes defenderam alternativas para preservação de parte das árvores e reforçaram o pedido por uma reavaliação dos exemplares apontados para supressão.
A discussão ganhou força após o início dos trabalhos de retirada de árvores em maio deste ano. A reação de moradores e frequentadores levou à suspensão dos serviços e à realização de novas discussões envolvendo especialistas, entidades ambientais e representantes da própria Amma.
Em manifestação apresentada à Justiça, o Ministério Público de Goiás apontou a ausência de estudos ambientais mais detalhados e questionou a inclusão de mudas e árvores jovens entre os exemplares previstos para remoção.
Após a repercussão do caso, o prefeito Sandro Mabel reconheceu que o início da derrubada das árvores foi precipitado e defendeu que a permanência de parte dos exemplares seja analisada a partir de laudos técnicos independentes.
A presidente da Amma afirmou que, caso o Ministério Público entenda que as árvores não devem ser retiradas, os cortes não serão realizados. Se houver entendimento de que os procedimentos estão regulares, a execução seguirá conforme o planejamento apresentado.
Ao final da audiência, a vereadora Kátia informou que a Comissão de Meio Ambiente continuará acompanhando o caso e aguardará o parecer conclusivo do Ministério Público antes de discutir novos encaminhamentos.
A parlamentar também solicitou que o plano de manejo arbóreo e o cronograma detalhado das obras sejam disponibilizados à Câmara e à comunidade.
Segundo a Amma, a revitalização do Lago das Rosas já foi iniciada e será executada em seis etapas, com previsão de conclusão até o fim deste ano. O projeto prevê melhorias na iluminação pública, recuperação de estruturas existentes, adequações de acessibilidade e implantação de novos espaços de uso público.
