Essa história de Banco Pequi tem cara de Expresso Pequi.
Pior: Pequi Bank. Pequi de goiano com verniz gringo. Não ria, se for capaz.
O que é o banco: projeto que cria banco digital voltado principalmente a beneficiários de programas sociais de Goiás e a servidores públicos goianos. Prevê movimentar R$ 16,7 bilhões por ano.
O que era o expresso, ou (não ria) Transpequi: projeto de trem de média velocidade ligando Goiânia-Anápolis-Brasília. Cerca de 200 km, com previsão de 1 hora de viagem.
Criar um banco não é o mesmo que dizer vamos construir uma linha de trem de ferro para ligar um delírio a uma megalomania.
Mas o pequi tá no meio, e fazendo o quê só as mentes brilhantes dos melhores marqueteiros mato adentro conseguem bolar.
O banco é coisa de agora, do governador Daniel Vilela (MDB). O expresso é ideia do início dos anos 2000, puxada por dois governadores no palanque eleitoral: Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e Joaquim Roriz (MDB), do DF.
Três goianos. Um tucano.
Ironia: o pequi ligando Daniel e Marconi.
Convenhamos: o nome entrega uma triste imagem que não ajuda a ilustre e mais que pungente imagem de nosso poderoso pequi.
Pequi é algo tão sagrado para nós, goianos, que essas proezas com uso em vão de seu nome mais parecem heresia.
Como chamar de Pequi um banco? Imagina seu Juventino, lá da minha terra no interior, dizendo: vou ali no Pequi Bank.
Não dá.
Esses nomes, como estratégia de marketing, gritam no ouvido como piada pronta. Não ria, se puder.
A política não deveria ter poder pra fazer isso com a nossa identidade. Mas tem. Infelizmente.
Tudo nesse Pequi Bank, irmão do Expresso Pequi, funciona como novo processo lamentável de extinção nominal. Outro crime no cerrado.
Vão eliminar da boa memória o pequi, minha gente, transformando o nome pequi em uma banalidade marquetológica.
Não tem lógica. Expresso Pequi. Banco Pequi. Políticos pequi. Quem vai morder nesse caroço?
Que o resto do Brasil não tire sarro com a gente, assim espero, já me preparando para isso e para coisas piores.
Não diria que tudo nessa história cheira e tem gosto de ridículo, não vamos exagerar. Ou vamos, se preferirem. Dizer juntos: respeitem o nosso pequi. Que ele seja protegido dos políticos.
Salve, salve o pequi na roça, com arroz branco e muito caldo de frango. Esse eu banco.
