O Teatro Municipal de Anápolis recebe, entre os dias 24 e 26 de abril, o espetáculo “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco”. A montagem, realizada pelo Coletivo Teatro Gueroba, encerra uma temporada de circulação por Goiás que já passou pelas cidades de Ouvidor e Goiânia. Com entrada gratuita, a peça propõe uma reflexão profunda sobre o impacto da pandemia de Covid-19 e a formação da identidade brasileira.
A dramaturgia utiliza a figura de um homem comum que, em um dia de celebração, entra em um embate simbólico com a divindade. A partir desse ponto, a narrativa revisita trajetórias pessoais e coletivas, cruzando referências da zona rural e dos centros urbanos. A obra busca tensionar as feridas deixadas pelo isolamento social e as polarizações que marcam a sociedade contemporânea.
Referências ancestrais e simbolismo do Cerrado

A construção cênica do grupo é fundamentada em pesquisas sobre o pensamento de Darcy Ribeiro, tradições indígenas e negras, além de manifestações populares como a Folia de Reis. No palco, o público encontra elementos como a guariroba (gueroba), palmeira típica do bioma local conhecida por sua resistência ao fogo, que serve como metáfora para a capacidade de renascimento após períodos de crise.
A encenação, dirigida por Hercules Morais, investe em uma linguagem sensorial. O uso de materiais orgânicos, sons em volume elevado e uma composição visual impactante buscam tirar o espectador da zona de conforto. De acordo com a produção, o processo de criação envolveu uma imersão da equipe em comunidades rurais e pequenos povoados do interior goiano, coletando histórias e vivências que alimentam o texto.
Reconhecimento nacional

Antes de chegar ao interior goiano, o trabalho ganhou destaque na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp), recebendo avaliações positivas da crítica especializada pela densidade visual e política. A circulação atual é viabilizada por editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), executados pela Secretaria de Estado de Cultura de Goiás.
As apresentações em Anápolis ocorrem em horários diversificados para atender diferentes públicos. Na sexta-feira (24), a sessão será às 19h. No sábado (25), haverá sessões às 16h e 19h, enquanto no domingo (26), o espetáculo começa às 20h. Vale destacar que a última apresentação contará com interpretação simultânea em Libras.
Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla. A classificação indicativa é de 14 anos, e a produção alerta para trechos com áudio de alta intensidade durante a performance.
