A rede pública de saúde de Goiânia terá restrições no atendimento obstétrico a partir da próxima semana. Médicos que atuam no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara (HMMCC) confirmaram a suspensão das atividades por um período de 48 horas, com início programado para as 7h de segunda-feira (9). Durante o movimento, apenas os serviços de urgência e emergência serão preservados na unidade.
A decisão foi ratificada em assembleia organizada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego). De acordo com a entidade representativa, a paralisação é uma resposta a problemas recorrentes na gestão da unidade, localizada na região Noroeste da capital. Entre as principais queixas da categoria estão o atraso no pagamento de honorários profissionais e a precariedade na infraestrutura de trabalho, que incluiria a falta de insumos básicos e equipes incompletas.
Impacto nos atendimentos eletivos
Com a deflagração do movimento, todos os procedimentos eletivos — aqueles que são agendados e não possuem caráter de urgência imediata — estarão suspensos até as 7h de quarta-feira (11). A medida afeta diretamente consultas e cirurgias programadas, gerando um represamento na demanda de uma das principais referências em atendimento neonatal e obstétrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana.
O Simego afirma que as tentativas de negociação com os órgãos responsáveis não avançaram nos últimos meses. Além da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as cobranças são direcionadas à Sociedade Beneficente São José, organização social que faz a gestão compartilhada da maternidade, e a empresas terceirizadas que contratam parte do corpo clínico.
Divergência sobre repasses financeiros
Em contrapartida, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia contesta as motivações financeiras da paralisação. Em nota oficial, a pasta assegurou que não existem atrasos nos repasses destinados às organizações sociais que gerenciam as maternidades municipais. Segundo o órgão, os pagamentos seguem o cronograma contratual vigente e a situação financeira com as instituições gestoras está regularizada.
Enquanto o impasse na unidade Célia Câmara permanece, a rede municipal monitora o fluxo de pacientes. Outras unidades de referência, como o Hospital e Maternidade Dona Íris e a Maternidade Nascer Cidadão, continuam operando normalmente, embora já registrem altos índices de ocupação, próximos a 90% da capacidade total.
Histórico de instabilidade
O cenário de paralisações na saúde municipal de Goiânia não é inédito. Entre 2021 e 2024, o setor enfrentou sucessivas crises relacionadas a atrasos salariais e falta de insumos. Em fevereiro de 2026, uma mobilização semelhante chegou a ser discutida, mas foi suspensa após rodadas de negociação. Agora, a retomada total das atividades na Maternidade Célia Câmara está condicionada, segundo o sindicato, ao cumprimento das pautas apresentadas pela categoria.










