A atriz e modelo Nana Gouvêa utilizou suas redes sociais nesta quarta-feira (25/2) para tornar público um relato de violência sofrida durante a adolescência. A manifestação da artista ocorre em meio à repercussão de uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que absolveu um homem anteriormente condenado por estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.
Segundo o relato de Nana, hoje com 50 anos, a sua história pessoal guarda paralelos com casos de abuso que ainda tramitam no Judiciário brasileiro. A atriz detalhou que, aos 16 anos, foi vítima de violência sexual e, ao descobrir a gravidez, não recebeu apoio familiar para buscar justiça. Pelo contrário, afirmou ter sido agredida fisicamente pelo próprio pai e forçada a formalizar a união com o agressor.
Ciclo de violência e resistência
A artista descreveu o período em que esteve casada como um ciclo de abusos contínuos. Segundo ela, além do trauma inicial, o relacionamento foi marcado por agressões físicas, traições e abandono psicológico. Nana relatou que chegou a ser deixada sozinha com uma filha recém-nascida e grávida da segunda criança, sem provisões básicas, enquanto o então marido se ausentava.
“A solução? Casar a garota com o abusador”, pontuou a atriz, criticando a cultura de preservação de aparências em detrimento da segurança de menores de idade.
A separação ocorreu quando Nana tinha 19 anos. Mesmo diante do cenário de maus-tratos, ela afirma que a decisão de encerrar o matrimônio enfrentou resistência familiar. De acordo com a modelo, seu pai foi contrário ao divórcio, utilizando argumentos estigmatizantes sobre a posição da mulher divorciada na sociedade da época.
Carreira e contexto atual
A trajetória de superação de Nana Gouvêa incluiu a mudança para o Rio de Janeiro com o apoio da mãe, onde consolidou sua carreira na televisão e no Carnaval nos anos 1990 e 2000. Natural de Jataí (GO), a atriz, que integrou produções como a novela Porto dos Milagres e o reality Casa dos Artistas, vive atualmente nos Estados Unidos com a família.
O desabafo da atriz reacende o debate sobre a eficácia da proteção à criança e ao adolescente e o histórico de decisões judiciais em casos de violência sexual. “Triste como décadas depois tudo está igual”, concluiu Nana, referindo-se à reiteração de casos de impunidade que motivaram sua fala.










