A Justiça de Goiás aceitou denúncia contra o terceiro-sargento da Polícia Militar Fellipe Mecenas de Oliveira Lima, de 35 anos, pela morte do mecânico Marcus Phelipe de Souza Almeida. O caso, ocorrido em outubro de 2023, ganhou novos contornos após laudos periciais da Polícia Civil contradizerem a versão inicial da corporação sobre um suposto confronto armado. Agora, o militar responde por homicídio doloso, quando se assume o risco de matar.
O episódio teve início durante uma fiscalização da Operação Balada Responsável no Setor Residencial Bougainville. Marcus ocupava o banco do passageiro de um veículo que desobedeceu à ordem de parada. Segundo a investigação, o condutor tentou fugir por receio de ter o carro apreendido, já que o automóvel era rebaixado e apresentava irregularidades na documentação.
Divergências
Embora o boletim de ocorrência da PM registrasse uma troca de tiros durante a perseguição, a perícia técnica concluiu que não houve disparos partindo do interior do veículo onde estava a vítima. Marcus foi atingido na cabeça e no ombro, perdendo a consciência imediatamente. A defesa da família sustenta que uma arma foi “plantada” na cena para forjar uma situação de legítima defesa, ressaltando ainda que o jovem era destro e os ferimentos indicavam uma trajetória incompatível com a versão oficial.
As investigações também apontaram que informações imprecisas repassadas pela equipe policial no dia do fato dificultaram o isolamento do local e a análise de vestígios. O caso chegou a ser arquivado pelo Ministério Público em 2025, mas a insistência de familiares e a apresentação de novas provas técnicas levaram à reabertura do processo e à decisão judicial que tornou o sargento réu.
Próximos passos
Com a aceitação da denúncia, o processo entra na fase de instrução. Nesta etapa, serão colhidos depoimentos de testemunhas e analisadas as provas coligadas pela Polícia Civil para determinar se o sargento será levado a júri popular. A Polícia Militar informou que acompanha as decisões judiciais e que instaurou os procedimentos administrativos cabíveis.
A morte do mecânico Marcus Phelipe reacende o debate sobre protocolos de abordagem e o uso da força em perseguições urbanas, especialmente em casos envolvendo infrações administrativas de trânsito.







