A chegada do governador Ronaldo Caiado ao PSD representa o fim de um longo período de angústia para o deputado federal Ismael Alexandrino. Único representante da sigla na bancada federal goiana, o parlamentar via seu projeto de reeleição ameaçado pela incapacidade do partido de formar uma chapa competitiva para 2026, problema que o levou a cogitar migração para outras legendas, especialmente o PL.
“Caiado vai fortalecer, e muito, o partido em Goiás”, afirmou Ismael em entrevista à Coluna Giro do jornal O Popular. Para o deputado, a mudança é estrutural: o PSD deixa de ser um partido sem perspectiva de chapa para deputado federal e passa a ter garantia de formação com “inúmeros eleitos”.
A celebração de Ismael contrasta com o cenário que ele próprio descreveu ao longo de 2025. Em outubro, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, manifestou preocupação ao ser informado que o partido em Goiás não tinha chapa para deputado federal nem estadual. Naquele momento, havia apenas dois nomes consistentes para a Câmara Federal: o próprio Ismael e o ex-deputado Vilmar Rocha.
A situação se agravou em novembro, quando Ismael renunciou aos cargos de vice-presidente estadual e presidente metropolitano do PSD. O deputado confirmou conversas com o PL e revelou ter boa relação tanto com o presidente nacional Valdemar da Costa Neto quanto com lideranças em Goiás.
“A condicionante é se o PSD terá chapa ou não”, declarou Ismael à época ao Jornal Opção, ao deixar claro que sua permanência no partido dependia da capacidade de formar uma estrutura eleitoral viável. Além do PL, o deputado também foi sondado por Podemos e Republicanos.
Perspectiva da vice
Além da questão proporcional, Ismael vê na chegada de Caiado a possibilidade de composição para a chapa majoritária. “Além disso, também surge a perspectiva de ter uma vice (de Daniel)”, afirmou o deputado, sinalizando que o espaço para o PSD indicar o vice na chapa de Daniel Vilela ao Senado está na mesa de negociações.
Essa janela de oportunidade é especialmente relevante considerando que o partido vivia uma crise de indefinições. Em abril, uma fonte da legenda descreveu o PSD goiano como “inteiramente sem projeto político estratégico”, ao criticar a condução do senador Vanderlan Cardoso.
O otimismo de Ismael tem como pano de fundo a força do PSD no cenário nacional. Comandado por Kassab, o partido detém o maior número de governadores, de prefeitos e uma das maiores bancadas no Congresso Nacional. “O PSD sai de um estado de letargia para se tornar um partido de primeira classe no estado, assim como é no Brasil”, afirmou o deputado federal.
A chegada de Caiado ao PSD ocorre em momento estratégico do calendário eleitoral. Com as eleições de 2026 no horizonte, o governador leva não apenas popularidade e estrutura administrativa, mas também uma rede de aliados construída ao longo de décadas. Para Ismael, que enfrentou meses de incerteza sobre seu futuro político, a mudança representa a diferença entre disputar a reeleição em condições desfavoráveis ou integrar uma chapa competitiva.
Resumo da Opera
O resumo da ópera no PSD fica assim:
ANTES:
- Vanderlan mandava e o partido não tinha perspectiva nem de montar chapa de candidatos a deputado federal.
- No horizonte, apenas negociação para tentativa a de reeleição de Vanderlan.
DEPOIS (AGORA):
- Partido vê possibilidade de formação de chapa forte para a Câmara dos deputados.
- Ismael Alexandrino, que estava de saída, reavalia sua decisão e deve ficar.
- PSD passa ainda a ter chance de indicar o vice na chapa de Daniel Vilela.
- Pode ter o candidato do partido a presidente: Ronaldo Caiado.
- Vanderlan fica sem espaço para reeleição. Fica na legenda? Eis a questão.






