Em novembro de 1957, a pacata vila de Plainfield, no estado de Wisconsin, virou o epicentro de um dos casos mais perturbadores da criminologia estadunidense. O que a polícia encontrou na propriedade isolada de Edward Theodore Gein não era apenas a cena de um crime, mas um “museu de horrores” que alteraria para sempre a cultura e o gênero do terror psicológico.
A descoberta
A investigação começou com o desaparecimento de Bernice Worden, dona de uma loja de ferragens local. O filho de Bernice, Frank Worden, encontrou um recibo de venda referente a um galão de anticongelante em nome de Ed Gein, sendo este o último registro feito por ela na manhã em que desapareceu. Ao entrarem na fazenda de Gein, os oficiais encontraram o corpo de Worden, mas o horror foi muito além de um único homicídio.
Relatórios policiais e registros históricos da Sociedade Histórica de Wisconsin detalham que a casa estava repleta de artefatos feitos de restos humanos. Entre os itens confiscados estavam:
- Assentos de cadeiras estofados com pele humana;
- Crânios usados como tigelas e nos postes de sua cama;
- Máscaras feitas de rostos femininos;
- Um “cinto” confeccionado com mamilos humanos.
Gein admitiu ter exumado corpos de cemitérios locais — especificamente de mulheres que se pareciam com sua falecida mãe — para criar o que ele chamava de uma “roupa de mulher”, na esperança de “tornar-se” ela.
De Norman Bates a Leatherface
Embora Ed Gein tenha sido legalmente responsabilizado por apenas dois assassinatos (Mary Hogan e Bernice Worden), sua psicopatologia e o fetiche por necrofilia serviram de substância para vilões de Hollywood.
- Psicose (1960): O autor Robert Bloch vivia a cerca de 56 km (35 milhas) de Plainfield quando o caso estourou. Ele baseou Norman Bates não nos crimes de Gein, mas na relação doentia e obsessiva com a figura materna e no isolamento geográfico. Alfred Hitchcock, ao adaptar o livro, imortalizou a ideia do assassino que vive sob a sombra de uma mãe dominadora.
- O Massacre da Serra Elétrica (1974): Tobe Hooper utilizou os detalhes estéticos da casa de Gein. A imagem de Leatherface usando máscaras de pele humana é uma transposição direta das descobertas feitas na fazenda de Plainfield, embora a trama do filme em si seja ficcional.
- O Silêncio dos Inocentes (1991): O personagem Buffalo Bill herdou de Gein o desejo específico de criar uma “vestimenta” de pele feminina para transformar sua própria identidade.
O que diz a Psicologia

Diferente dos “serial killers” modernos que buscam poder ou prazer sexual direto, Gein foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide. Após a morte de sua mãe, Augusta Gein, em 1945 — uma mulher puritana e fanática religiosa que o isolou do mundo — Ed sofreu um colapso psíquico.
Ele foi declarado mentalmente incapaz para o julgamento inicial, passando anos em instituições psiquiátricas até ser considerado apto a enfrentar o tribunal em 1968. No julgamento, ele foi considerado culpado de homicídio em primeiro grau, mas declarado legalmente insano (não culpado por razão de insanidade), permanecendo institucionalizado até o fim da vida.
Série – Monster: The Ed Gein Story
Décadas após sua morte em 1984, a figura de Ed Gein continua a ser explorada como um estudo de caso sobre o trauma e a dissociação. Mais recentemente, em 3 de outubro de 2025, a Netflix trouxe o caso de Ed para a terceira temporada de sua série Monster, que traz crimes reais, abordando o histórico de criminosos, como a polícia e a sociedade da época reagiram e muito mais.
Quem iniciou a série Monster foi o caso de Jeffrey Dahmer, em seguida o caso dos Irmãos Menendez. Em Monster: The Ed Gein Story, o assassino de Plainfield é interpretado por Charlie Hunnam. A série de Ryan Murphy mergulhou não somente nos crimes, mas na dinâmica psicológica disfuncional entre Ed e sua mãe, Augusta, explorando como a solidão rural e o fanatismo moldaram um dos nomes mais sombrios da história estadunidense.
Nota: Esta matéria tem caráter documental. O objetivo é o registro histórico de eventos que impactaram a sociedade, sem qualquer intuito de enaltecer atos criminosos ou seus perpetradores.









