Hawkins fechou seus portais, mas as teorias dos fãs continuaram mesmo que outras não tivessem sido concretizadas. A bola da vez foi o ‘Conformity Gate’, uma teoria que prometia um episódio secreto para amarrar as pontas soltas deixadas pelos roteiristas. No fim, o suposto episódio do dia 7 não passou de uma ilusão (desta vez, não criada pelo Vecna).
Se você ainda está na fase de negação, respire fundo: separamos algumas séries que não prometem curar o luto por Stranger Things, mas que vão te levar para universos tão fascinantes quanto.
Pluribus (Apple TV+)
A nova obra-prima de Vince Gilligan (criador de Breaking Bad) é a recomendação imediata para 2026. Em Pluribus, a humanidade é atingida por um vírus alienígena que não mata, mas conecta todos em uma “mente colmeia” pacífica e apática. A protagonista Carol (Rhea Seehorn) é uma das poucas imunes que resiste à assimilação. A série espelha o horror psicológico de ser um estranho em um mundo transformado, lembrando muito o isolamento de Will e Eleven contra forças coletivas esmagadoras.
DARK (Netflix)
Se o que te prendeu em Hawkins foi o mistério inicial sobre o desaparecimento de Will Byers, a produção alemã Dark eleva esse conceito à enésima potência. Mas atenção: troque a nostalgia colorida dos anos 80 pelo cinza melancólico da cidade de Winden.
A série começa com o sumiço de uma criança, mas logo revela que a pergunta certa não é “onde”, mas sim “quando”. Com uma trama impecável sobre viagens no tempo, ciclos deterministas e árvores genealógicas que vão fritar o seu cérebro, Dark é para quem gosta de teorizar — com a vantagem de que, aqui, todas as peças se encaixam perfeitamente no final. É o antídoto ideal para quem se frustrou com as pontas soltas do Mundo Invertido.
Yellowjackets (Paramount+)
Se a dinâmica do grupo de amigos era o seu ponto favorito, você precisa conhecer as Yellowjackets. A série intercala duas linhas temporais: em 1996, um time de futebol feminino cai de avião em uma floresta isolada e precisa sobreviver ao impossível; 25 anos depois, acompanhamos as sobreviventes traumatizadas tentando esconder o que realmente aconteceu lá. Tem mistério sobrenatural, rituais estranhos e uma dose de terror muito mais crua que a de Stranger Things.
Ruptura / Severance (Apple TV+)
Para quem ficou fascinado pelas conspirações do Laboratório de Hawkins e experimentos governamentais, Ruptura é a escolha obrigatória. A série explora um procedimento que separa cirurgicamente as memórias de trabalho das memórias pessoais. O resultado é um suspense psicológico claustrofóbico que questiona a realidade e a ética corporativa. É o tipo de série que te deixa com a mesma sensação de “tem algo muito errado acontecendo aqui” que as primeiras temporadas de ST passavam.
Paper Girls (Prime Video)
Muitas vezes chamada de “a resposta do Prime Video para Stranger Things”, esta série (baseada na HQ homônima) foca em quatro meninas que entregam jornais em 1988 e acabam presas em uma guerra entre viajantes do tempo. Embora tenha sido cancelada precocemente, a primeira temporada entrega perfeitamente aquela mistura de nostalgia oitentista, amizade feminina e ficção científica de alto nível.
The OA (Netflix)
Se você achou o “Conformity Gate” uma loucura, é porque ainda não mergulhou nas camadas de The OA. Criada e estrelada por Brit Marling, a série começa com uma premissa simples: uma jovem cega que estava desaparecida há sete anos retorna para casa com a visão recuperada.
A partir daí, a história explode em uma jornada metafísica que envolve quase-morte, múltiplas dimensões e uma conexão profunda entre desconhecidos. É a série perfeita para quem gosta do lado “experimental” de ST e não tem medo de tramas que exigem total suspensão da descrença. Um aviso de amigo: essa série também foi cancelada de forma prematura, após a segunda temporada, e a base de fãs se transformou em um exército de teóricos profissionais. Você vai se sentir em casa se gostou da ideia de uma ilusão na mente dos jovens de Hawkins.
Superar o fim de uma era nunca é fácil, e o ‘Conformity Gate’ provou que os fãs não queriam ir embora de Hawkins tão cedo. Mas, como todo bom RPG, quando uma campanha termina, outra precisa começar. Essas séries são o convite para quem busca mistério e profundidade sem precisar de um mapa do Mundo Invertido. O portal fechou, mas a aventura está longe de acabar. E aí, qual dessas vai ser a sua próxima obsessão?







