A conta não fechou. Com R$ 16,94 bilhões em caixa e R$ 20,65 bilhões em obrigações nos primeiros nove meses de 2025, os Correios optaram por não pagar R$ 3,7 bilhões. A dívida acumulada inclui fornecedores, fundo de pensão, plano de saúde dos funcionários e tributos federais. Um documento interno da estatal detalha a decisão.
A empresa acumula prejuízos trimestre após trimestre. As crises sucessivas corroeram as receitas e aumentaram os gastos. Em junho, a presidência criou um Comitê Executivo de Contingência para estancar a sangria financeira.
A primeira grande decisão do comitê: postergar pagamentos de forma deliberada. A política de atraso proposital visava preservar o caixa e dar fôlego à empresa.
“A combinação entre a redução da receita e o aumento dos gastos acentuou o desequilíbrio financeiro”, admitiu os Correios.
Os valores não pagos atingiram:
- R$ 1,44 bilhão em INSS Patronal
- R$ 732 milhões com fornecedores
- R$ 545 milhões no Postal Saúde
- R$ 457 milhões em PIS/COFINS
- R$ 346 milhões no programa Remessa Conforme
- R$ 135 milhões no fundo Postalis
A estatal justifica a decisão com os números do caixa. Se honrasse todos os compromissos nos prazos originais, desembolsaria R$ 19,71 bilhões, valor que deixaria um déficit operacional de R$ 2,77 bilhões, superior aos recursos disponíveis.
O problema, segundo a empresa, começou antes. Ao longo de 2024, os Correios já empurravam dívidas à frente. O acúmulo de obrigações não pagas gerou uma bola de neve que explodiu em 2025.
“A expressiva redução das saídas reflete, sobretudo, os efeitos das postergações de pagamentos e as limitações na captação de recursos em dezembro de 2024, que resultou em volume inferior ao originalmente estimado, comprometendo parcialmente a cobertura dos compromissos assumidos para o início do exercício”, registra o documento.
Mesmo no vermelho, a diretoria projeta melhora. O prejuízo do terceiro trimestre chegou a R$ 6 bilhões. A estimativa para o fechamento de 2025, porém, é de R$ 5,8 bilhões, uma redução, ainda que modesta.
Em julho, a dívida atrasada somava R$ 2,75 bilhões. Quatro meses depois, alcançou R$ 3,75 bilhões. O aumento de R$ 1 bilhão concentrou-se em poucos itens:
- INSS Patronal saltou de R$ 741 milhões para R$ 1,44 bilhão
- PIS/COFINS passou de R$ 208 milhões para R$ 457 milhões
- Postal Saúde subiu de R$ 363 milhões para R$ 545 milhões
- Fornecedores foram de R$ 652 milhões para R$ 732 milhões
- Remessa Conforme cresceu de R$ 271 milhões para R$ 346 milhões
Em pouco mais de três meses, os atrasos de PIS/COFINS mais que dobraram. O débito com o INSS Patronal, que financia aposentadorias, quase duplicou.








