Segundo analistas, o objetivo das tarifas de Trump é interferir na politica brasileira

A tarifa de Trump não tem lógica econômica. Análise revela motivações geopolíticas e papel da oposição brasileira no conflito comercial.

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos contra o Brasil, com vigência a partir de 1º de agosto, expõe a dimensão política da medida tomada pelo ex-presidente Donald Trump. A sanção visa enfraquecer os Brics, proteger empresas de tecnologia norte-americanas e interferir na política interna brasileira.

Analistas responsabilizam a oposição ao governo Lula por colaborar com esse cenário, ao promover articulações internacionais que fragilizam a soberania do país.

Na carta em que justifica a medida, Trump tentou defender Jair Bolsonaroinvestigado por tentativa de golpe — atendendo a pedidos de seus aliados no Brasil. Ao agir dessa forma, a oposição abriu espaço para que Trump transformasse interesses geopolíticos em guerra comercial.

O professor Pedro Rossi, da Unicamp, afirmou que a tarifa não tem lógica econômica. “O Brasil não causa desequilíbrio comercial com os EUA. Essa foi uma reação política à atuação do país no Brics”, disse. Dados oficiais dos EUA comprovam: o superávit americano com o Brasil atingiu US$ 7,4 bilhões em 2024, um aumento de 31,9% em relação ao ano anterior.

Trump alegou que tarifas e barreiras brasileiras geram desequilíbrios, mas a última vez que os EUA registraram déficit comercial com o Brasil foi em 2007. O economista Luiz Prado (UFRJ) reforçou que as tarifas brasileiras seguem normas da OMC, cujos mecanismos os EUA vêm sabotando desde a gestão Obama.

Camila Feix Vidal, professora da UFSC, destacou o timing da sanção logo após a cúpula do Brics. Para ela, a decisão de Trump busca enfraquecer o sistema jurídico brasileiro e punir o alinhamento internacional do país. A retaliação também responde à atuação da oposição brasileira, que se articula no exterior contra as instituições nacionais.

Além disso, o relatório do governo dos EUA divulgado em abril criticou o modelo tarifário brasileiro em setores como etanol, telecomunicações e bebidas. Prado argumentou que essas estruturas foram negociadas no pós-guerra, considerando os diferentes níveis de desenvolvimento.

Pedro Rossi afirmou que a estrutura produtiva do Brasil explica o saldo comercial negativo com os EUA. “Isso não representa injustiça, mas sim uma especialização complementar entre as economias”, explicou.

Os três especialistas recomendaram que o Brasil use a Lei de Reciprocidade como resposta. Para Vidal, a medida de Trump pode unir setores políticos divergentes em defesa da soberania nacional. Rossi acredita que o país deve aproveitar o episódio para diversificar parcerias e estimular a produção interna. “A crise pode fortalecer a indústria nacional e integrar o Brasil a novos mercados”, analisou.

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