Brasil é exemplo para diversos países no combate a desigualdades, afirma Haddad

Haddad cita reforma tributária e taxação de super-ricos como modelo brasileiro para reduzir desigualdade e financiar ações climáticas globais.

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Paulo Pinto/Agência Brasil

Em encontro sobre Dilemas da Humanidade, ministro destaca medidas do governo que podem ser seguidas por outros países para melhorar distribuição de renda e enfrentar desafio das mudanças climáticas.

O Brasil pode servir de exemplo a diversos países no combate à má distribuição de renda, à fome e à miséria, além do enfrentamento de desafios relacionados às mudanças climáticas. A avaliação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao participar do evento “Dilemas da Humanidade: Perspectivas para a Transformação Social ‒ Tricontinental”, em São Paulo, nesta terça-feira (8/4).

O ministro lembrou que o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, ao mesmo tempo em que tem uma das piores distribuições de renda pública, mas que isso não acontece apenas aqui.

“Esse é o paradoxo de muitas economias mundo afora. Não é uma especificidade do Brasil. Há muitos países com altíssima desigualdade de renda, que podem usar o exemplo que está sendo dado pelo Brasil, neste momento, para criar condições de combater a desigualdade, a fome, a miséria, e enfrentar o desafio da mudança climática”, disse.

O exemplo, segundo ele, vem de medidas como a Reforma Tributária e a proposta de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, a partir da taxação de 141 mil brasileiros com Imposto de Renda mínimo.

“Esses 141 mil brasileiros permitem isentar 10 milhões de pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês de salário e reduzir o Imposto de Renda de outros 5 milhões de brasileiros que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7 mil”, frisou o ministro. “Então, para cada um brasileiro super-rico que ganha mais de R$ 1 milhão por ano, você vai permitir que 100 brasileiros sejam beneficiados. Dois terços com isenção do Imposto de Renda e um terço com redução do que pagam hoje.”

Além disso, Haddad destacou o exemplo do país com a geração de energia limpa, mas também a partir de uma gama de tecnologias que estão sendo desenvolvidas, envolvendo “biocombustíveis e a relação com a natureza”. São pontos, segundo ele, que colocam o Brasil “em outro patamar, no sentido prospectivo, de buscar alternativas viáveis economicamente, sustentáveis ecologicamente, para enfrentar os desafios que estão colocados”.

Mentes e corações

O ministro da Fazenda salientou que o contexto global hoje é desafiador, mas o Brasil tem conseguido sinalizar propostas, tanto no âmbito externo – na presidência do G20 – quanto no âmbito interno, que “mobilizam mentes e corações, no sentido correto da busca por um mundo melhor”.

No G20, recordou o ministro, o Brasil procurou colocar no centro do debate a questão do combate à fome e às desigualdades, além do desafio da mudança climática e de novas fontes de financiamento para enfrentar um panorama socioambiental mais desafiador.

“Nós estamos em um mundo em que um monte de pessoas ainda não ingere a quantidade de calorias necessárias para sobreviver dignamente”, lamentou, acrescentando que as mudanças climáticas põem a questão da segurança alimentar no centro das atenções, mas que as fontes de financiamento são cada vez mais escassas.

Essa situação reforça, de acordo com ele, a importância da ideia de uma taxação dos super-ricos apresentada pelo país no G20, para taxar as 3 mil famílias mais ricas do planeta, que hoje detêm uma riqueza de US$ 15 trilhões de patrimônio, e formar um fundo público global de US$ 300 milhões de dólares ao ano para o enfrentamento da fome e da crise climática.

Haddad ressaltou que, no âmbito interno, o governo enfrenta dificuldades para aprovação de algumas matérias no Congresso Nacional, devido a uma oposição mais conservadora, mas entende que “isso deve servir de estímulo para buscar resultados mais palpáveis do ponto de vista da solução dos graves problemas” que não só o Brasil, mas o mundo todo está enfrentando.

Realizado de 7 a 10 de abril na PUC, em São Paulo, o evento “Dilemas da Humanidade: Perspectivas para a Transformação Social” reúne líderes políticos, intelectuais e movimentos populares para debater soluções econômicas e sociais em meio às crises globais, a fim de trocar ideias, propor soluções e refletir sobre experiências na formulação de políticas públicas e na gestão de governo.

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