Os países da União Europeia autorizaram, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre comércio com o Mercosul. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina prevê que os dois blocos assinem o documento no próximo dia 17. Após a assinatura, os congressos dos países sul-americanos precisam aprovar o texto para que as novas regras entrem em vigor.
Embora o tratado abranja diversos setores, a agropecuária dominou as negociações nas últimas décadas. Produtores europeus realizaram protestos barulhentos contra a entrada de produtos sul-americanos competitivos, mas 21 países votaram a favor da medida, vencendo a oposição de França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda.
Para o Brasil, o pacto assume um papel estratégico. O setor agropecuário busca compensar a queda nas vendas para os Estados Unidos, após o governo de Donald Trump manter sobretaxas em quase metade das exportações brasileiras em 2025. O acordo também oferece uma alternativa diante das recentes limitações que China e México impuseram à carne brasileira.
O que muda no comércio agrícola:
- Tarifa Zero: A União Europeia eliminará as taxas de importação para 77% dos produtos agropecuários do Mercosul, como café, frutas, peixes e óleos vegetais.
- Carne Bovina: O Brasil deixará de pagar a taxa de 20% da cota Hilton para cortes nobres. O Mercosul também ganha uma nova cota de 99 mil toneladas anuais com tarifa inicial de 7,5%.
- Frango: Além das cotas atuais, o Brasil e seus parceiros exportarão 180 mil toneladas anuais com tarifa zero, volume que o bloco atingirá gradualmente em seis anos.
- Café: As tarifas de 9% sobre o café solúvel e 7,5% sobre o torrado cairão para zero em quatro anos, aumentando a competitividade brasileira contra o Vietnã.







