O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico. No entanto, o parlamentar condicionou a divulgação dos próprios dados à liberação de informações de familiares, assessores e empresas ligados ao petista.
A manifestação ocorreu durante um compromisso de campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Flávio também apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as condições para a abertura dos dados. Entre as exigências estão informações sobre o Instituto Lula, os gastos do cartão corporativo da Presidência e os registros de reuniões entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Flávio exige abertura de sigilos de familiares e aliados de Lula
Na petição, Flávio autoriza a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. O documento também abrange familiares mencionados na proposta de Lula e quatro empresas das quais o senador é sócio ou administrador.
O candidato do PL, porém, defende que a medida seja ampliada para incluir pessoas próximas ao presidente, empresas relacionadas aos familiares do petista e integrantes de sua equipe. Entre os nomes citados está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Durante o evento em Guarulhos, Flávio argumentou que seria necessário examinar os registros telefônicos do ex-assessor para esclarecer como eram intermediadas as ligações destinadas ao presidente.
“Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola”, afirmou o senador.
O parlamentar também cobrou a divulgação de informações sobre o Instituto Lula e o cartão corporativo da Presidência, incluindo despesas relacionadas à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.
Pedido inclui informações sobre Daniel Vorcaro
Outro ponto da petição envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio solicita a divulgação de registros de reuniões entre o empresário e Lula, além de informações sobre entradas de Vorcaro no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada.
O documento também apresenta pedidos relacionados a registros de visitantes, voos de aeronaves vinculadas ao banqueiro e dados de pessoas próximas ao presidente, incluindo familiares e integrantes de organizações citadas pela campanha do senador.
Flávio afirma que a abertura dos próprios sigilos deve ser acompanhada de medidas equivalentes envolvendo pessoas e empresas que, segundo ele, poderiam ajudar a esclarecer questões patrimoniais e financeiras relacionadas ao presidente.
As solicitações representam exigências feitas pela campanha do candidato do PL. A apresentação da petição, por si só, não comprova a existência de irregularidades por parte das pessoas mencionadas.
Lula condicionou abertura de sigilos à reciprocidade
O impasse começou durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações bancárias e telefônicas. O presidente afirmou que também disponibilizaria os próprios dados para que os eleitores pudessem avaliar as acusações feitas durante a campanha.
Na terça-feira (20), Lula encaminhou ao TSE um documento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares, desde que Flávio adotasse medida equivalente.
A proposta do petista contempla informações referentes aos últimos oito anos e inclui a primeira-dama, os cinco filhos do presidente e empresas vinculadas a ele. O documento foi encaminhado à Corte eleitoral como parte da disputa entre os candidatos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Debate da TV Globo ocorre na sexta-feira
A discussão sobre a abertura dos sigilos também passou a integrar a disputa em torno do último debate presidencial antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Lula afirmou que Flávio deveria apresentar a autorização antes de participar do debate da TV Globo, previsto para sexta-feira (23). O presidente argumenta que a divulgação das informações permitiria esclarecer acusações de corrupção feitas entre os adversários.
Flávio, por sua vez, sustenta que a medida não deve se limitar aos dados pessoais dos candidatos e exige a ampliação do alcance das informações a familiares, assessores e instituições ligadas ao presidente.
Com a apresentação das condições pelo senador, a discussão sobre os sigilos se tornou mais um ponto de confronto entre as campanhas na reta final da eleição presidencial.
