A eleição deste ano começou com as redes sociais no centro das atenções.
Quem dominasse Facebook, Instagram, TikTok, WhatsApp, dominaria o mundo – e as urnas.
Era o que todos achavam, era o que todo mundo dizia.
Em sentido contrário estava a preocupação com a mobilização – nas ruas. Mobilização e ruas como sinônimos.
No final do 1º turno, porém, a relevância das ruas ficou clara. Os candidatos a deputado estadual e federal que montaram estruturas físicas e portanto não ficaram apenas no virtual, levaram vantagem.
Prevaleceu o velho modo analógico de pedir voto: pé no chão, mão na mão, indo aonde o eleitor está para tentar conquistar o seu voto.
Os eleitos pela internet são exceção. As redes não deram conta, sozinhas, do recado.
O que ninguém contesta é o poder de destruição das redes. Nas ruas, é construção. Nas redes, vale tudo. Reputações nascem e morrem a um clique de distância.
Este é um ponto importante. Sim, os algoritmos também matam, e os políticos em geral gostam disso.
Bater no adversário é a paixão que prevalece, em campanha. Destruir a imagem alheia é mais importante do que construir a própria imagem.
Na reta final deste 2º turno, não falta gente na rua. Primeiro foram os jovens, em movimento direcionado anti-Flávio Bolsonaro. Bom para Lula.
O PT comemorou a novidade, e tratou de transformá-la em oportunidade. Foi para as ruas também.
O PL, que há tempos se faz dono das ruas, de repente perdeu o domínio. Vacilou. Demorou a reagir. Nos últimos dias, voltou à mobilização. Está nas ruas.
Em Goiás, o PL planeja fazer no sábado, último dia de campanha, carreatas em todos os 246 municípios. O PT planeja ações organizadas como mísseis programados para alvos estratégicos.
De um lado e de outro, os movimentos são fortes, constantes, com os candidatos marcando posição, envolvendo, seduzindo, chamando as pessoas à responsabilidade. Reta final é campo de guerra sem trégua.
Não tem jeito. As redes têm a sua importância. As ruas mantêm a sua relevância. Minimizar o poder de uma arma eleitoral e de outra é erro fatal.
Ruas e redes não competem entre si. Pelo contrário. Por exemplo: as ruas passam mensagem de mobilização, imprimem percepção de força política e vitória, produzem imagens que viram conteúdo essencial para o alimento… das redes sociais.
E é esta a grande lição deste ano, no contraponto à supervalorização das redes que figuras como Nikolas Ferreira e André Janones inspiram, sem que se leve em conta o contexto e o custo pessoal embutidos. Quer ser igual a eles? Está disposto a pagar para ver – e ser?
Redes sociais, sozinhas, não ganham eleição. As ruas, apenas, também não. Redes e ruas, juntas e misturadas, são vencedoras.
Juntas, redes e ruas vão decidir a eleição neste 2º turno, como decidiram no 1º turno, especialmente para os candidatos a deputado (estadual e federal) e senador.
Fique esperto: um olho nas ruas, outro nas redes. E voto na urna.
Mais do que nunca, nessa reta final, a investida de Lula e Flávio Bolsonaro será avassaladora. Desesperadora.
As pesquisas ajudam a alimentar esse clima e esse embate. O empate é um chamado ao combate. Guerra de nervos, com sangue nas ruas.
Esta eleição será decidida, antes de tudo, no braço.
