O site PlatôBR publicou nesta terça-feira (29) uma reportagem sobre a relação entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Alexandre Ferreira Dias Santini, antigo amigo e sócio do parlamentar em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro. Segundo a publicação, Santini acumulou mensagens, fotografias e documentos durante anos de proximidade com Flávio e passou a usar parte desse material em meio a uma disputa financeira entre os dois.
A reportagem, assinada pelo jornalista Rodrigo Rangel, afirma que o conflito começou a se intensificar após o encerramento da sociedade. Em setembro de 2023, Santini enviou uma notificação extrajudicial ao senador cobrando R$ 1,4 milhão, sob a alegação de que havia ficado no prejuízo com o fim do negócio.
O material apresentado pelo PlatôBR também aborda episódios da vida pessoal de Flávio, pagamentos feitos por pessoas próximas e contatos mantidos durante o governo Jair Bolsonaro, quando o senador exercia mandato no Congresso.
Disputa entre ex-sócios
Flávio Bolsonaro e Alexandre Santini mantiveram uma relação de amizade e negócios desde os anos 2000. Os dois foram sócios da Bolsotini Chocolates e Café Ltda., empresa ligada a uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio.
A loja apareceu anteriormente no contexto das investigações sobre o caso das chamadas rachadinhas envolvendo o então deputado estadual Flávio Bolsonaro. De acordo com o PlatôBR, após o encerramento da sociedade, Santini passou a cobrar valores que considerava devidos pelo antigo sócio.
A reportagem mostra que, além da cobrança financeira, Santini guardou mensagens e outros registros produzidos durante o período em que mantinha proximidade com Flávio.
Em 28 de setembro de 2023, segundo o site, ele encaminhou ao gabinete do senador uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão. O documento teria relacionado o valor a investimentos feitos na antiga sociedade.
Mensagens e crise familiar
O PlatôBR também relata que Santini apresentou à mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, mensagens e imagens relacionadas a supostos encontros privados com acompanhantes de luxo dos quais, segundo ele, o senador teria participado.
A publicação afirma que o episódio provocou uma crise na relação entre Flávio e o ex-sócio. Em uma mensagem reproduzida pela reportagem, o senador pediu que Santini se afastasse de Fernanda e reconheceu ter cometido “escolhas erradas” no passado.

O conteúdo divulgado pelo site é apresentado como parte do conjunto de registros que Santini manteve durante o período de proximidade com o parlamentar.
Rolex de R$ 305 mil
Outro ponto da reportagem envolve um relógio Rolex comprado em fevereiro de 2022 pelo advogado Alan Belaciano, apresentado pelo PlatôBR como integrante do círculo de pessoas próximas a Flávio.
Segundo a publicação, a peça, um Rolex Submariner Date em ouro branco, custou R$ 305 mil. A nota fiscal teria sido emitida em nome de Belaciano, enquanto mensagens mantidas por Santini indicariam que o relógio seria destinado a Flávio Bolsonaro.
A reportagem também menciona outros pagamentos atribuídos a pessoas próximas ao senador, entre eles equipamentos para a academia de uma residência em Brasília. Segundo o PlatôBR, as notas fiscais desses equipamentos somaram mais de R$ 90 mil.
Em episódio anterior citado na própria reportagem, Flávio teria afirmado que os equipamentos foram adquiridos por um amigo como parte de um empréstimo pessoal que seria posteriormente pago por ele. O senador também classificou como infundadas acusações feitas por Santini.
Suposta atuação junto a ministro do STF
O trecho de maior repercussão institucional da reportagem envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o PlatôBR, Santini enviou uma mensagem a Flávio no fim de 2023 afirmando que o senador teria conversado diretamente com Kassio sobre os interesses de um cliente que possuía um processo no gabinete do ministro.
A mensagem também mencionaria Alan Belaciano como responsável pelo caso e faria referência a um encontro que teria sido articulado posteriormente.
O conteúdo publicado pelo PlatôBR apresenta a mensagem como uma forma de pressão de Santini durante a disputa com Flávio. Na sequência, segundo a reportagem, o senador respondeu marcando uma conversa em seu gabinete.
O PlatôBR afirma que não foi possível saber o que foi tratado no encontro. Depois da reunião, Santini teria comunicado a pessoas próximas que a disputa com Flávio estava encerrada.
Relações no período Bolsonaro
A reportagem também descreve a rede de relações construída por Flávio durante o período em que Jair Bolsonaro ocupou a Presidência da República. Segundo o PlatôBR, pessoas próximas ao senador mantinham contatos com empresários, advogados e interessados em questões que envolviam órgãos públicos e instituições federais.
O texto cita, entre outros, ministérios, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tribunais.
O material reunido pelo ex-sócio também inclui referências a Fabrício Queiroz e Frederick Wassef, personagens que estiveram ligados ao entorno de Flávio Bolsonaro durante o período em que ele era deputado estadual e, posteriormente, senador.
A reportagem do PlatôBR apresenta as mensagens e documentos como registros de uma relação que passou de proximidade pessoal e comercial para uma disputa financeira e, posteriormente, para uma tentativa de negociação entre os antigos sócios.
