O PT busca diálogo com empresários goianos já pensando no 2º turno para presidente.
Há uma procura por nomes que sejam receptivos a um encontro com Lula.
Nomes da sociedade, dirigentes de entidades, empresários.
Não precisa ser eleitor; precisa estar disposto a dialogar. Ouvir e, quem sabe, se aproximar.
O encontro dessas lideranças será com o presidente e com o vice, Geraldo Alckmin, nos primeiros dias de setembro. Dia 9, talvez.
Faz parte de uma mobilização para resgatar o que aconteceu em 2022, em outro encontro parecido, em contexto político nacional parecido.
Na época, o movimento foi positivo para Lula. Tirou nuvens sobre sua imagem.
O objetivo de fundo era a luta pela continuidade democrática. O simbolismo permanece.
O PT queria antes e quer mais do que nunca agora estabelecer um contraponto ao bolsonarismo. À campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
O mais curioso é um movimento ser organizado para o candidato Lula, e nenhuma ação ter como foco a candidatura de Luis Cesar Bueno ao governo de Goiás. Uma coisa não estar casada à outra em comunhão de votos.
A ação faz sentido, entretanto, se observado atentamente o que acontece com o PT e os outros partidos de esquerda e centro-esquerda no Estado.
Luis Cesar Bueno está sozinho na campanha para governador.
É ele contra todos. Apesar de todos, melhor dizendo.
Apesar e contra, inclusive, lideranças de partidos do que em tese é a sua base de apoio, a coligação Goiás Pode Mais, que junta PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT.
Nomes como Rubens Otoni, Adriana Accorsi e Delúbio Soares, do PT, e Aava Santiago, do PSB, tocam suas campanhas para deputado federal sem fazer qualquer esforço pela candidatura de Luis Cesar Bueno ao governo. Dissintonia geral.
Estão nas ruas. Cada um cuidando da sua eleição.
Luis Cesar Bueno faz o que a cartilha petista manda: está em campanha por Lula, para Lula, em nome da causa Lula da reeleição.
No meio-tempo, faz campanha para ele. Pede votos pra governador.
O principal de sua ação é a exposição das obras do PT e de Lula no Estado. Mostrar as realizações dos governos petistas para ‘vender’ um Lula sempre bom para os goianos, embora as votações não correspondam a tais fatos.
Tem uma lógica lateral estratégica nesse tirocínio, por certo: se o discurso encontra acolhida entre os goianos, Luis Cesar tem um vão aberto para crescer nas pesquisas. A esperança vence a dificuldade.
De todo jeito, missão dada é missão cumprida. Lula lá. E ponto.
Desde o ano passado, o PT e aliados falam nisso: faz-se urgente dar palanque a Lula em Goiás.
Fala assim, agindo em sentido contrário: promovendo disputas internas fratricidas por espaços – de sobrevivência e poder de comando -, em vez de fazer propaganda reiterada das obras e ações realizadas. O que Luis Cesar Bueno faz hoje.
Sem bom senso, prevaleceu o contrassenso, e chegou-se ao dissenso. Desse ventre nasceu a candidatura ao governo que está de pé.
Adriana Accorsi não quis ser candidata a governadora. Aava Santiago negou-se a disputar o Senado. Foram pressionadas. Companheiros pressionaram de volta. Relações foram trincadas. Juntas, as duas disseram não aos colegas e a Lula. Juntos, os adversários internos foram à luta – por eles e contra elas.
Com Luis Cesar Bueno candidato a governador, e com Lula em campanha pela reeleição, nada mudou nesse cenário, a não ser o fato consumado da chapa majoritária.
Todos lutam por si. Luiz Inácio da Silva e Luis Cesar Bueno que se virem. E estão se virando como podem.
Estamos combinados que, no calor desta hora, o movimento de empresários mostra que Lula está se virando por sua reeleição sem se preocupar com Luis Cesar Bueno.
Mas Luís César Bueno segue agradando o comando em Brasília.
Se a obediência tiver mérito no pós-eleição, e dependendo do resultado nacional, a ele caberão os frutos e bônus, mais do que a quaisquer outros que tenham contrariado a senha superior quando foram chamados.
À parte os considerandos, a esquerda e a centro-esquerda entram na campanha em Goiás para perder aqui e ganhar com Lula lá.
Escolheu esse rumo quando escolheu não escolher logo seu candidato a governador, e quando escolheu mas não acolheu quem escolheu por exclusão. Nem queria entender. Aceite: o PT escolheu perder; alguns petistas candidatos é que escolheram que merecem, mais do que Lula, ganhar.
Complexo. Mas simples de entender.
A previsão é que sejam reeleitos nomes conhecidos, com mínimo de gente nova, para o Legislativo.
O PT decidiu não mudar em Goiás para continuar a sua mesma luta. Ou: vai continuar o mesmo, porque não muda.
Pensando no futuro, o resultado de outubro pode trazer mais vitória na derrota do que o contrário. Renovação pela dor.
O diálogo com lideranças da sociedade goiana não é um aceno para mudança de direção. É uma estratégia eleitoral pontual e pragmática.
Valor de face eleitoral em Goiás o PT terá no 2º turno. Na hora de decidir quem apoiar. Se tiver 2º turno.
No interior, o valor dos apoios pontuais e dos votos por exclusão é mensurado pelas tias. Depois de irem às urnas, elas sempre perguntam: “Já perdeu valor?” Ou seja: “Já votou?”. E PT saudações.
