A grande novidade eleitoral do final de semana em Goiás foi o evento em que Wilder Morais (PL) avisou em alto e bom som no palanque: agora, vai. Está em campanha e não para. A ver.
Wilder chegou a esboçar um discurso de oposição, no palanque. Mas só. Fez cócegas no governador e adversário de campanha Daniel Vilela (MDB), seu alvo direto.
A notícia não empolgou plateia nenhuma. Daniel revidou sem entusiasmo, mais para marcar posição. E segue o fluxo.
Lá atrás, Wilder esteve no governo de Ronaldo Caiado (PSD) como secretário. E esteve em governo do outro adversário na disputa atual, Marconi Perillo (PSDB).
Como se opor ao que ajudou a fazer? Em ambos, e em tese, Wilder cuidou da área de desenvolvimento, de fazer o Estado ir pra frente. Foi ou não foi? Pra frente, no caso.
Marconi Perillo vem intensificando visitas a municípios tem um tempo. Campanha de um homem só. Mas um começo.
Notícia relevante também do final de semana é a não renovação de contrato com seu marqueteiro. Vai trocar de estrategista e isso significa nova fase. Novo foco. Tempo novo na campanha. Um alento aos incomodados com a falta de pegada em suas ações.
Daniel Vilela (MDB) está em campanha desde antes de assumir o governo, em abril, quando Ronaldo Caiado renunciou para disputar a Presidência da República.
Anda na dianteira das movimentações, com negociações de bastidores para fechar chapas de candidatos a deputado e com os encontros regionais de mobilização da base aliada. Sábado fez mais um desses encontros, em Itumbiara.
Luís César Bueno (PT) é o único nome na disputa que nada fez porque não tem o que fazer. A não ser dar entrevistas aqui e ali. Nem candidato ele é. Foi escolhido como nome de seu partido. Não tem o aval do grupo. Nem a confiança.
Não é, por enquanto, o nome da esquerda e dos progressistas, segmento que representa. Nos bastidores, sua candidatura é colocada em dúvida, não entusiasma.
Na hora certa, Lula vai chamar a deputada federal Adriana Accorsi, melhor nome petista nas pesquisas e unanimidade interna para a disputa, e dizer: é você, companheira.
Todos dizem, todos esperam isso. Menos ela, naturalmente, que nega tudo e mantém candidatura à reeleição para deputada federal. Este é o clima interno.
Esse nó entre um nome posto — o de Luís César — e outro esperado é um problema partidário e pessoal, para Adriana. Mais do que anúncio, a definição apresentada carece de fé pública. Está na conta de indefinição certa.
Dia 20 começa o prazo das convenções, que vai até 5 de agosto. Até dia 15, com o elástico da lei.
Pelo jeito, Goiás ficará nisso: três nomes postos, um quarto nome em suspenso (e em último nas pesquisas).
Mesmo quadro de seis meses atrás.
Na disputa, pra valer, estão Daniel, Marconi e Wilder.
Daniel precisa segurar sua base e definir o vice. Favoritismo não é vitória certa. Um descuido e a queda vira despencamento no abismo. Ele tem exemplo disso em casa.
Em 2002, seu pai, Maguito Vilela, tinha a eleição na mão, tão certo parecia o destino daquela disputa. Marconi foi lá e tomou a vitória. No braço e na campanha pelos municípios. Um pouco o que está fazendo agora, indo às bases para sedimentar seu nome.
Daniel pode buscar exemplo no marconismo também, ao final de seu ciclo de 20 anos no poder.
Em 2018, Zé Eliton era governador por nove meses, como Daniel agora, substituindo Marconi, que era governador e renunciou para disputar outra eleição em outubro, como Caiado este ano. Zé e Marconi começaram como favoritos e perderam feio.
Marconi não tem nos outros candidatos o seu maior adversário. Sua rejeição, seus desgastes de 20 anos de poder, nome em xeque na avaliação dos goianos (ponto evidenciado em pesquisas qualitativas).
Estes são alguns dos entraves pra ele resolver. O segundo lugar nas pesquisas indicam mais um teto do que um piso.
Wilder é a incógnita humana da política goiana. Sem querer querendo, assumiu um mandato inteiro como senador ao substituir Demóstenes Torres. Foi de candidato sem chances, há quatro anos, a eleito.
Wilder não faz campanha (agora, vai!), não dá entrevistas ou discursa para falar de seus planos e pensamento para Goiás, e não movimenta estrutura. Quando faz uma ou outra coisa, é timidamente. E não tem liderança fincada no interior.
Wilder não tem defeitos políticos que o inviabilizem. No máximo, os que têm o colocam em posição de incógnita.
Mas também não tem virtudes. É fruto do meio bolsonarista. Seu calvário, sua salvação. Seu capital, sua herança maldita. Ou o bolsonarismo, ou nada.
No confronto do positivo com o negativo, com muito esforço dá pra dizer que esta eleição em Goiás é um combate aberto entre promessas vagas e uma realidade incerta.
Marconi e Wilder de um lado, Daniel de outro. No meio da confusão, o PT, mais confuso ainda por si só.
Os três principais candidatos, oscilando entre a direita e o centro, que compreendem dois terços do eleitorado goiano, segundo as pesquisas.
Apesar disso, não há indícios relevantes de que a guerra no Estado será ideológica.
Está mais para uma luta campal, braço a braço, ombro a ombro. De xingamento a xingamento, sem discurso consistente, como acontece já.
Marconi e Daniel disputando qual governo foi melhor, e Wilder nem sendo oposição, nem sendo governo, nem sendo candidato de verdade.
Pelo jeito, é desse saco de gatos escaldados que emergirá o próximo governador de Goiás.
Repara bem no que nos espera.
Na esperança que nos inspira.
É o que temos para hoje. E para o futuro.
Durma (e acorde) com um barulho desse.
