Em política, discursos são importantes. Mas, de vez em quando, a plateia também fala.
A presença do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em Goiânia tinha um objetivo claro: lançar oficialmente a chapa majoritária do PL em Goiás e mobilizar a militância para a campanha de 2026. A expectativa dos organizadores era reunir cerca de três mil apoiadores. Compareceram aproximadamente mil pessoas, deixando espaços vazios no tattersal do Parque Agropecuário.
O número, por si só, não decide eleição alguma. Mas produz um retrato do momento político.
Flávio Bolsonaro chegou para pedir engajamento em torno do projeto nacional do partido e reforçar o discurso de união das oposições ao presidente Lula. O apelo, porém, não encontrou a resposta esperada em termos de mobilização popular. Em campanhas, expectativa e realidade raramente passam despercebidas.
Para Wilder Morais, oficialmente lançado candidato ao governo de Goiás, a leitura também merece atenção. Sua estratégia tem sido construída sobre um pressuposto: o capital político do bolsonarismo no Estado. O evento deste sábado, entretanto, sugere que esse patrimônio eleitoral, se existe, talvez não se transforme automaticamente em presença física ou entusiasmo militante.
Há outro elemento simbólico. Flávio voltou a Goiânia dois anos depois das eleições municipais de 2024, quando Jair Bolsonaro participou da campanha do candidato apoiado pelo PL. Naquela disputa, venceu o nome apoiado pelo então governador Ronaldo Caiado. O retrospecto recomenda cautela a quem acredita que lideranças nacionais, por si sós, transferem votos.
Isso não significa que o projeto eleitoral do PL esteja enfraquecido ou fortalecido. Significa apenas que campanhas não vivem apenas de pesquisas ou da força das redes sociais. Precisam produzir imagens de mobilização, capacidade de organização e entusiasmo coletivo. Esses elementos ajudam a construir a percepção de competitividade.
O calendário ainda está no início. As convenções sequer começaram e haverá muito tempo para mudar cenários. Mas o primeiro grande ato público do PL em Goiás deixou uma mensagem que dificilmente será ignorada pelos adversários.
Na política, os discursos ocupam o noticiário. As fotografias da plateia costumam permanecer na memória.
E, às vezes, uma cadeira vazia também faz discurso.
