A crise na família do ex-presidente Jair Bolsonaro continua a gerar instabilidade no campo político da extrema-direita, apesar do pedido público de desculpas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à madrasta e dos esforços do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, para estancar a controvérsia.
O vídeo publicado por Michelle Bolsonaro na quarta-feira (25) detonou uma série de movimentos nas redes sociais que evidenciam a fragmentação de um dos principais núcleos familiares da política nacional.
A dinâmica nas redes
Michelle já não segue mais os enteados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) no Instagram. Eduardo, por sua vez, ainda acompanha a madrasta na plataforma, mas passou a republicar, em seu perfil no X, conteúdos com críticas diretas a ela.
O deputado cassado compartilhou a defesa da esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, que descreveu o marido como “leve, respeitoso e carinhoso“. Também repostou um vídeo do ex-deputado Alexandre Ramagem, no qual ele acusa Michelle de fazer “birra” por não ter sido escolhida como sucessora de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto.
A origem do desgaste
O vídeo de Michelle faz menção a quem “atua contra ela do exterior“, uma clara referência a Eduardo Bolsonaro. A ex-primeira-dama atribuiu a esse núcleo publicações que a citam sem o sobrenome Bolsonaro, apenas com o de solteira: Michelle Firmo.
A relação entre os dois já foi próxima. Em janeiro de 2025, viajaram juntos aos Estados Unidos para a posse do presidente Donald Trump.
Com Carlos Bolsonaro, o rompimento é mais antigo. Em março deste ano, durante uma entrevista, Michelle declarou ter perdoado o vereador pelos conflitos antigos, mas descartou qualquer reaproximação: “Já perdoei, mas não quero conviver“.
A reação do clã
Rogéria Bolsonaro, mãe dos três irmãos, publicou uma mensagem compartilhada por Eduardo, Carlos e Flávio; este último, o único que continua sendo seguido por Michelle.
“Eu sei os homens que criei, dignos e honrados. Venceremos!”, escreveu.
O embate também ganhou contornos religiosos. Na quinta-feira (26), Michelle compartilhou um trecho bíblico sobre o “falso testemunho” não ficar impune.
No dia seguinte, Fernanda Bolsonaro publicou um versículo de Provérbios sobre a “testemunha falsa que profere mentiras” e “o que semeia contendas entre irmãos“.
A crise expõe uma disputa interna pelo espólio político do ex-presidente, que não é apenas simbólica. Michelle é vista como um ativo eleitoral relevante, enquanto os filhos de Bolsonaro controlam a comunicação digital do grupo. O racha, portanto, tem impacto direto no planejamento do PL para o próximo ciclo eleitoral.
A tentativa de Valdemar Costa Neto de conter o desgaste indica que a cúpula partidária reconhece o custo da divisão familiar para a coesão da base. O que está em dúvida é se o comando do PL ainda tem força para impor uma trégua.
