O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, lançou uma enquete para saber o que fazer no impasse que virou a obra parada do viaduto da Av. Leste Oeste sobre a Av. Castelo Branco.
Abre passagem pela lateral agora ou não?
Gestão que resolve por enquete.
O que é uma enquete?
Enquete é um espaço aleatório virtual e incontrolável.
Esperar seriedade em uma enquete é temerário.
Como é que vai ser?
Terá moderador? Quem? Como vai moderar quem for cuidar da moderação e não do povo?
Enquete não tem ciência. Não há ciência nelas, digo.
Diferente das pesquisas, não há lei ou regras que as balizem.
Como será o controle do sistema de votação?
Vai impedir voto de robô?
Porque o negócio é bruto: empresas contrariadas ou interessadas na obra – contra ou a favor – podem muito bem contratar empresas experientes no mercado de compra e venda de haters e afins, para que manipulem os cliques.
Qualquer um vota, ou só os maiores de 18 anos podem sufragar? Ou de 16 anos?
Vale voto de morador (e eleitor) de Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Nerópolis ou lá de Nova Roma?
Tem inscrição pra votar? (Manda o link.)
Como saberemos se a decisão será justa?
O processo todo terá auditoria?
O voto será auditável? Só no post ou tem papel?
Dúvidas sinceras. Há outras.
Todas as decisões da prefeitura serão, de agora em diante, precedidas de enquete?
Enquete será procedimento padrão na administração pública de Goiânia?
Será o votante em enquete o novo prefeito de Goiânia?
O povo quer saber.
Não seria melhor, neste caso, um estatístico ou um social media no comando da prefeitura?
Assim, na boa.
E se Mabel elege a enquete para terceirizar a administração, significa que quem elegeu Mabel, reelege a enquete?
Voto em enquete vale mais que voto na urna?
Mantemos a política ou a substituímos pela enquete, colocando o povo da internet no poder – eliminando vereador, prefeito, deputado, senador, governador, presidente como atravessadores?
Permita-me perguntar, cidadão interessado que sou e diretamente afetado pelos fatos em tela e os demais, por extensão.
Enquete é tudo, menos ouvir o povo. Há mecanismos melhores. Há maneiras mais eficazes de escuta da população. E necessárias.
Enquete não é solução. É mais um problema. Dois: de gestão e de comunicação.
O povo não é virtual. Goiânia é real.
As demandas da cidade são de verdade. Não é razoável que estejam sujeitos ao campo aberto da proliferação das fake news, bombas perdidas nas guerras de ódio.
Abaixo, segue o link para a postagem da enquete. Está no perfil do prefeito Mabel. Ajuda lá. Ele tá pedindo.
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O post:
