Quando passa a tempestade, a que foi, a que se encontra, a que tem o tempo todo o poder fugidio da esperança, da utopia, do sonho imaginado, e que chega e sai como carícia de faca.
Quando cai a chuva, suave, e dá pra correr por ela, escorrer com ela e assobiar a queda, e olhar pra cima é um escalar de abraços.
Quando o desespero com as dúvidas humanas inseparáveis do espírito cessam seu suspiro triste com o sol da hora.
Quando tudo parece perdido e o abismo chama o eco destemido da solta voz.
Quando o sono é eternidade incerta, arrastado mundo em contrário.
Quando me perco e, antes, me desgarro.
É quando tudo faz sentido.
É quando mais faço amor.
Não me desfaço nunca de mim.
