Catalão poderá chegar às eleições de 2026 com três nomes fortes na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás. Jamil Calife, atual deputado estadual em primeiro mandato; Gustavo Sebba, que busca retornar para o quarto mandato; e Adib Elias, ex-deputado por três mandatos e quatro vezes prefeito de Catalão, formam um quadro raro de representatividade política para a cidade.
A possibilidade reacende uma lembrança histórica. Nas décadas de 1980 e 1990, Catalão chegou a ter três deputados estaduais ao mesmo tempo: Sílvio Paschoal, Arédio Teixeira e Mauro Netto. Foi um período em que o município ocupou posição de maior influência na política goiana, com presença direta nas articulações da Assembleia e maior capacidade de defesa dos interesses regionais.
Hoje, porém, o desafio é maior. Catalão tem 74.797 eleitores, conforme dados da eleição de 2024. A cidade pertence à 8ª Zona Eleitoral, que soma 105.301 eleitores, de Anhanguera, Cumari, Davinópolis, Goiandira, Nova Aurora, Ouvidor e Três Ranchos. Ou seja, embora Catalão seja o principal colégio eleitoral da região, trata-se de uma zona de baixa densidade eleitoral para sustentar, sozinha, três candidaturas competitivas.
Nos municípios vizinhos, os números também mostram a limitação regional: Anhanguera tem 1.710 eleitores; Cumari, 2.742; Davinópolis, 4.405; Goiandira, 4.700; Nova Aurora, 2.350; Ouvidor, 10.491; e Três Ranchos, 4.106. Somados, esses municípios têm 30.504 eleitores. É uma base importante, mas insuficiente para garantir três cadeiras sem que os candidatos busquem votos em outras regiões do Estado.
Na prática, para Catalão voltar a eleger três deputados estaduais, será preciso mais que prestígio local. Cada pré-candidato terá de construir uma base própria, ampliar alianças fora do sudeste goiano e escolher com cuidado o partido pelo qual disputará. Na eleição proporcional, não basta ter voto individual: é fundamental estar em uma chapa capaz de eleger.
Outro ponto decisivo e de ação imediata é evitar a guerra interna. Se os três nomes transformarem Catalão em campo de confronto, a cidade pode perder força. Mas se houver maturidade política, respeito entre os grupos e compreensão de que a representatividade regional está acima das disputas pessoais, Catalão poderá ampliar sua presença na Assembleia.
Jamil Calife entra no debate com a força do mandato e da presença institucional. Gustavo Sebba carrega a experiência de quem já exerceu três mandatos e conhece os caminhos do Legislativo. Adib Elias, por sua vez, tem recall político expressivo, depois de três mandatos como deputado e quatro passagens pela Prefeitura de Catalão.
O cenário, portanto, é de oportunidade e risco. Catalão tem nomes qualificados, história política e peso econômico. Mas a eleição de três deputados exigirá cálculo, organização, voto regional e expansão estadual. O desafio não é apenas lançar três candidatos. É fazer com que os três tenham condições reais de chegar lá.
A pergunta que fica é se Catalão terá maturidade para transformar força política em representação. Se cada um buscar apenas o seu pedaço da cidade, todos podem sair enfraquecidos. Mas se Catalão entender que precisa voltar a falar mais alto na Assembleia, 2026 poderá marcar o retorno de uma presença política que a cidade já teve no passado: três vozes defendendo o município e a região no Parlamento goiano.
