Falemos de pesquisa. Mas com preâmbulo.
Pesquisa acende o imaginário do público e das esquinas de campanha.
Candidatos – e candidatos a candidatos – não podem ver um número que entram em êxtase, quando não sobe o pânico na mente.
E todos concordam que elas são necessárias, principalmente em uma campanha.
Poucos as utilizam de forma correta. Querem saber apenas quem está na frente e quem está caindo pelas tabelas.
Porém há os que entendem o poder delas no jogo. E seguem suas orientações, pautadas pela interpretação e tino de bons leitores, normalmente chamados de marqueteiros, embora nem sempre por eles.
(Não há regra em saber ler e errar leitura de pesquisa. Há método. Uns sabem e outros erram feio. Outro assunto.)
Dito tudo isso, passemos à questão que importa aqui.
O que raríssimas almas interessadas em se destacar, se eleger e se firmar na política mostra é o básico: disposição mínima de pagar pra ver.
Escrevi disposição mas poderia ter dito dinheiro. Pesquisa tem custo. Lógico. E boas pesquisas custam caro. Bom anotar isso, lembrando daquela máxima: o barato (sempre) sai mais caro (ainda).
Mas pesquisa boa é investimento, não é gasto. Comecemos por aí. E se é fato que quem detém informação, detém o poder, torna-se mais clara a importância de tudo, em seu contexto amplo.
Quanto custa a nova Quaest

Lembrei dessas coisas ao ver o valor da pesquisa Quaest programada para ser divulgada esta semana: R$ 239.169,81.
Sim, senhoras e senhores. Tudo isso. Ou só isso, dependendo do ponto de vista.
Em Goiás, pesquisa acima de 10 mil reais é pesquisa caríssima, na visão de quem contrata. O mercado oferece aos quilos pesquisas por menos da metade.
Não se olha qualidade. Olha-se preço. Não há preocupação com a qualidade, e sim com os números. Tendo número, tá valendo a pesquisa – este o raciocínio que guia políticos e veículos de comunicação.
Estratégias inteiras de campanha são montadas com base em pesquisas feitas nas coxas, no fundo do quintal. E muitas vezes pesquisas feitas pelos adversários, que alguém conseguiu e repassou em segredo – como se houvesse segredos nessa área, e como se não houvesse aí uma jogada elementar: montar pesquisa falsa para induzir o adversário ao erro.
Quem paga a conta (o contratante) da nova pesquisa Quaest é o Banco Genial. Tem dinheiro para isso. E por que faz?
Há teorias e há conspirações. O fato é que paga. Em retorno, tem exposição de seu nome em tudo quanto é site e veículos. Inclusive na Globo (aqui, TV Anhanguera), que a divulga.
Uma sequência de pesquisas torna-se referência para análises e a boca miúda dos bastidores. Não se fala em outra coisa.
Se é lobby ou se é prestação de serviço à comunidade, não importa. Pesquisa é tema e assunto que não se dispensa em nenhuma roda de conversa.
E ter contratante é um diferencial de confiança importante. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) recomenda, porque a própria empresa de pesquisa se apresentar como contratante de si mesma expõe uma conta que não bate. Fica mais pra: alguém tá pagando, mas não quer que você saiba quem.
Pesquisa não faz mágica nem produz milagre. É ciência. Faz uma diferença enorme para quem quer sair do amadorismo e fazer campanha profissional.

Pesquisas feitas em Goiás
Pesquisa barata não quer dizer pesquisa boa. Significa simplesmente pesquisa malfeita, ruim pra ganhar e boa mesmo pra fazer perder.
Nada economiza mais do que ganhar uma eleição. Perder é que é caro.
Em Goiás, o que vemos: os bons institutos enfrentam cada dia mais dificuldades, sufocados pelo baixo custo dos pequenos.
O problema, no caso, não são os institutos, e sim os políticos ou empresários. Eles é que aceitam a regra: o nivelamento pelo baixo custo com baixíssima qualidade.
Pagam para serem enganados. Simples. Se é que não estão pagando para enganar fregueses.
Empresários amadores
E para não dizerem que não falei dos tais empresários na política, tidos e havidos como profissionais, digo sem medo de ofender: costumam ser os mais amadores de todos.
Esses tais empresários têm tino pra investir alto em seus negócios, investindo em pessoal especializado e informação estratégica.
Só que, na política, usam a chamada lógica empresarial contra si mesmos. Contratam assessores para não ouvi-los e evitam pesquisas porque têm certeza de que sabem mais do que os números revelam.
Descuidam da própria imagem, principal ativo da política, na proporção inversa com que cuidam de seus produtos de fábrica.
Essa é uma das explicações para não durarem muito, ou terem voo limitado.
O jogo é outro. Quem entende isso – empresário ou não -, vai longe.
