A taxa básica de juros em patamar elevado continua atraindo investidores para os títulos públicos. O Tesouro Nacional divulgou nesta segunda-feira (27) que o Tesouro Direto vendeu R$ 14,79 bilhões em papéis a pessoas físicas pela internet em março, o maior volume mensal desde a criação do programa, em 2002.
O valor representa alta de 79,2% em relação a fevereiro (R$ 8,2 bilhões) e de 26,5% na comparação com março de 2025. O recorde anterior do Tesouro Direto havia ocorrido em janeiro deste ano, motivado pela troca de títulos prefixados que venceram.
O principal motor do recorde de março foi o vencimento de R$ 7,07 bilhões em títulos corrigidos pela Selic. Os investidores optaram por reinvestir os recursos no mesmo tipo de papel. A Selic, que estava em 10,5% ao ano até setembro de 2024, subiu para 14,75% ao ano, tornando esses títulos especialmente atraentes.
Preferência por papéis pós-fixados e atrelados à inflação
Os títulos vinculados aos juros básicos lideraram a preferência dos investidores, com 52,7% das vendas. Os papéis corrigidos pelo IPCA (inflação oficial) vieram em seguida, representando 24% do total. Os títulos prefixados, com juros definidos no momento da compra, totalizaram 15,1%. O Tesouro Renda+ (para aposentadoria) respondeu por 6,5% das vendas, enquanto o Tesouro Educa+ (para ensino superior) atraiu apenas 1,6%.
A expectativa de alta da inflação nos próximos meses também ajuda a explicar o apelo dos papéis atrelados ao IPCA.
Número de investidores e perfil das aplicações
O número de investidores cresceu: 288.041 pessoas ingressaram no programa em março, elevando o total para 35.097.988. Nos últimos 12 meses, o total de investidores acumula alta de 9,78%, e o de investidores ativos (com operações em aberto) subiu 15,97%, chegando a 3.418.225.
As aplicações de pequeno valor predominam: 73% das 1.224.134 operações de venda em março foram de até R$ 5 mil, sendo que 45,6% das aplicações são de até R$ 1 mil. O valor médio por operação ficou em R$ 12.083,06.
Os investidores mostram preferência por prazos curtos: títulos com vencimento de até cinco anos responderam por 58,2% das vendas. Os prazos de cinco a dez anos e acima de dez anos dividiram o restante, com 20,9% cada.
Como funciona o Tesouro Direto
O governo criou o Tesouro Direto em janeiro de 2002 para democratizar o acesso a títulos públicos, permitindo que pessoas físicas comprem diretamente do Tesouro Nacional pela internet, sem intermediação de agentes financeiros. O investidor paga apenas uma taxa à B3 (a bolsa de valores brasileira), que a B3 desconta nas movimentações dos títulos. Informações adicionais estão disponíveis no site do Tesouro Direto.
A venda de títulos representa uma das formas que o governo utiliza para captar recursos, pagar dívidas e honrar compromissos. Em contrapartida, o Tesouro Nacional compromete-se a devolver o valor corrigido por um adicional, que pode atrelar-se à Selic, à inflação, ao câmbio ou a uma taxa prefixada.
