A Polícia Civil de Goiás efetuou, nesta quarta-feira (1º), a prisão preventiva de um homem investigado pelo envenenamento de seus dois enteados no município de Alto Horizonte, no norte do estado. O crime, que chocou a região, resultou na morte de uma menina de 9 anos e na hospitalização de seu irmão, de 8 anos, que conseguiu sobreviver após receber cuidados médicos intensivos.
O caso começou a ser desvendado na última sexta-feira (27), quando a criança mais velha faleceu pouco tempo depois de ingerir uma refeição em sua residência. O irmão mais novo também consumiu o alimento e apresentou sintomas graves de intoxicação, sendo socorrido às pressas. Laudos periciais preliminares e a análise da Polícia Técnico-Científica confirmaram que a causa do óbito da menina foi, de fato, a ingestão de substância tóxica.
Durante a varredura realizada pelos agentes na casa da família, as autoridades localizaram uma panela com restos de arroz misturados a grânulos escuros. O material, compatível com veneno, foi apreendido para análise laboratorial detalhada. Além do impacto humano, a perícia encontrou os cadáveres de quatro gatos no local, todos com sinais de envenenamento idênticos aos das crianças, possivelmente por terem consumido sobras do alimento descartadas no lixo.
Em um primeiro contato com as autoridades, logo após o ocorrido, o investigado admitiu ter sido o responsável pelo preparo da refeição servida aos enteados. Na ocasião, ele alegou que as sobras haviam sido jogadas fora. Entretanto, diante do avanço das provas técnicas e da decretação de sua prisão, o homem optou por exercer seu direito constitucional ao silêncio, afirmando que só prestará declarações na presença de sua defesa técnica.
O homem agora responde por feminicídio triplamente qualificado (no caso da enteada) e tentativa de homicídio triplamente qualificado (em relação ao enteado). As qualificadoras levam em conta o uso de veneno e a impossibilidade de defesa das vítimas, agravadas pelo fato de o crime ter sido cometido contra menores de 14 anos no âmbito doméstico.
As investigações entram agora em uma nova fase. A Polícia Civil trabalha para identificar a motivação exata por trás dos crimes e verificar se houve a colaboração de terceiros. Aparelhos celulares foram apreendidos e passarão por perícia de dados, enquanto novos depoimentos de familiares e vizinhos estão sendo colhidos para fechar o inquérito.
