Como viver em um país que tem lados mas perdeu o bom senso?
Como gostar de política se os políticos gostam mais de seus interesses do que dos interesses do povo?
Como confiar nas instituições se elas não fazem por merecer?
Como confiar nas instituições se falamos mal delas o tempo todo, com ou sem razão, segundo o viés de convicção próprio e meio (se tanto) ideologizado?
Como conseguimos amar tanto este País se tanta gente fala mal dele a cada segundo, comparando com outros que nem conhecem direito, mas dos quais só enxergam as coisas boas, omitindo (e pode-se dizer: omitiriam, a si mesmos, se soubessem como é lá de verdade) as mazelas e defeitos?
Como querer uma democracia digna se a defesa de práticas despóticas e totalitárias – fechar o Congresso, acabar com o STF etc – são argumentos de defesa e de ataque, conforme a ocasião?
Como querer conversar sobre assuntos diversos se não estamos dispostos a ouvir o outro e considerar que opiniões devem ser respeitadas, à parte as discordâncias em tese, pontuais ou no todo?
O que fazer com a desilusão pública?
O que fazer com a falta de caráter privado?
Como chamar de criminoso quem compra voto, vendendo o voto para o criminoso?
Como exigir coerência cívica colocando o emprego público pro filho em primeiro lugar?
Como conviver com o inimigo sem querer dar um tiro em sua cara?
Como ser uma pessoa melhor, considerando todos os outros piores porque são de direita, ou de esquerda, ou corruptos, ou imbecis, ou idiotas, ou o diabo que os parta?
Como salvar a alma diante de Deus se condenamos e sugerimos a primeira pedra ao menor sinal de contrariedade?
Como ser santos se usamos as armas do diabo, como ódio e vingança e bombas de vociferação?
Como colher amor plantando o contrário?
Como acreditar na vida se o desejo que impera é o de morte, se não a alheia, a própria?
Como evoluir aos céus cavando covas profundas?
Como não ficar atolado de questões sem solução?
Como encontrar respostas onde imperam as perguntas?
Simples: você pergunta, você responde. Fale agora ou cale-se para sempre.
Fale-se. Não quero nem saber.






