A ausência direta do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), no evento do partido em seu município, Anápolis, funcionou como ‘presença’ indireta e sintomática no palanque da base governista que foi montada a poucos quilômetros dali, em Jaraguá.
Márcio e o vereador por Goiânia, pré-candidato a deputado federal – também do PL –, Vítor Hugo, simplesmente comeram pastel na feira no mesmo dia em que rolava o evento feito sob medida para a pré-campanha do candidato a governador do partido deles, Wilder Morais.
Não há sutileza na mensagem. Márcio desviou-se oficialmente do evento pró Daniel Vilela e de despedida de Ronaldo Caiado do governo, mas não colocou os pés onde Wilder estava. Precisa desenhar?
Há poucos dias – o noticiário foi farto sobre o assunto –, Márcio foi cobrado por Caiado, com a conhecida sutileza caiadista, a definir um lado. O governador falou que não tinha dúvida de que ele escolheria a sua base.
Anápolis é a cidade natal de Caiado. Reduto onde o MDB busca estrategicamente um cabo eleitoral que lhe garanta portas abertas.
O foco e o fogo político governista não é aleatório. O prefeito só foi do MDB para o PL, na campanha que o elegeu, por circunstâncias do momento, mas com aval de Daniel e do governador. Agora, a hora da recíproca. O que está em jogo.
Wilder busca um fato novo para sua campanha. O risco é o esvaziamento no meio do caminho.
O bolsonarismo tem força no Estado. Porém a direita caiadista também tem, e não é inimiga de Bolsonaro ou Flávio. Pelo contrário.
Caiado está em busca de ser candidato a presidente. Assim como Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno nacional, a ideia é que se encontrem. Ou não, a depender da campanha para governador de Goiás.
E se o encontro tiver que ser antes, por Caiado não ser o escolhido no PSD para disputar a Presidência, aí embola tudo: como fica essa negociação?
O que valerá mais: todos juntos para eleger Flávio, ou todos divididos para favorecer Wilder, mesmo isso atrapalhando o projeto nacional bolsonarista?
Wilder tem mais a administrar no curto prazo: a ainda pouca disposição de Gustavo Gayer, o pré-candidato de Flávio ao Senado preterido na negociação com a base de Caiado, em entrar pra valer na sua campanha.
Gayer ainda não engoliu a história. Tem deixado claro isso. Até quando? Eis a questão.








