Não sei se é uma ironia ou curiosidade. Ou tudo isso e mais coisas. Essa notícia de que o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, vai destinar 70 mil reais em obras aos vereadores de sua base não tem nada de novo na política nacional, a não ser um detalhe: estar sendo feita a céu aberto e divulgada como fato positivo pelo próprio prefeito.
Não há aqui juízo de valor. Pelo menos não é o tema aqui. Estou rindo – sim, vivemos uma tragicomédia renitente – é do simbolismo disso. Não há ilusão. Não há esperança. Não há republicanismo institucional. Isso está se perdendo no tempo. Preocupações menores diante do insofismável: hoje o que vale é o Pix.
Algumas liturgias da política somem diante das técnicas de persuasão que se estabelecem. Melhor dizer que o certo é o que vereadores e Mabel estão fazendo, que é negócio às claras. Isso é transparência, dirão os novos arautos. E tenham dito. Assim, mais do que normalizado, está abençoada pela lógica atual o toma lá dá cá escancarado.
Justo. Cargos e recursos seletivos para obras são velhos conhecidos de todos na prática política local e nacional. Melhor que não se esconda na hipocrisia das regras institucionais ou liturgias temporais. Será? Mabel deu o seu preço e os vereadores compraram suas condições. Ou seria o contrário: os vereadores deram seu preço e Mabel está pagando?
Não importa. Na loja das conveniências políticas, o negócio é de ocasião, um ganha-ganha legítimo. Mabel pagou, levou. Tudo em nome do cidadão. Por ele e para ele. Bons entendedores entenderão. Não ria se puder.






