O tradicional desfile do Encontro Nacional de Muladeiros em Iporá, no oeste goiano, apresentou um cenário diferente do habitual na tarde desta quarta-feira (28). Enquanto as comitivas cruzavam as ruas da cidade celebrando a cultura sertaneja, um grupo de servidores públicos municipais ocupou o espaço para manifestar indignação. O ato, marcado pelo uso de faixas e pinturas faciais, transformou parte da festividade em um palco de reivindicações contra a atual gestão administrativa da prefeita Maysa Cunha (AVANTE – GO).
A mobilização reuniu trabalhadores efetivos que denunciam uma série de problemas acumulados nos últimos meses. Entre as principais queixas estão os atrasos recorrentes no pagamento dos vencimentos, o corte de direitos conquistados e a falta de uma via de diálogo aberta com a prefeitura. Com rostos pintados e cartazes com pedidos de “socorro”, os manifestantes buscaram dar visibilidade a uma crise que, segundo eles, já ultrapassou o limite do suportável.

De acordo com os participantes do movimento, a instabilidade financeira tem gerado um clima de insegurança entre as famílias dos concursados. Relatos colhidos durante o ato apontam que muitos profissionais estão enfrentando dificuldades básicas para manter as contas em dia. A frase “Não aguentamos mais” foi repetida em diversas faixas, sintetizando o esgotamento da categoria diante da ausência de respostas concretas por parte do poder executivo local.
Além do impacto direto na vida dos servidores, o protesto também destacou as consequências econômicas para o município. Os manifestantes argumentam que o atraso salarial gera um efeito dominó no comércio de Iporá. Com o poder de compra reduzido, o fluxo de caixa nas lojas e prestadores de serviço da cidade cai drasticamente, afetando o desenvolvimento econômico da região como um todo.
Apesar do tom crítico, a manifestação ocorreu de forma pacífica e não interrompeu o fluxo das comitivas. No entanto, a presença do grupo deslocou o foco das lentes e das conversas de quem acompanhava o evento. O episódio reforça a tensão existente entre o funcionalismo público e a administração municipal, evidenciando que as demandas por dignidade e regularização trabalhista permanecem como um desafio urgente para a gestão de Iporá.






