Seis universidades, faculdades e centros universitários de Goiás que apresentaram baixo desempenho na avaliação de cursos de medicina podem sofrer punições do Ministério da Educação (MEC). As instituições participaram, em 2025, do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que mede a qualidade do ensino médico, e receberam notas consideradas insatisfatórias.
O Enamed atribui conceitos de 1 a 5, sendo as notas 3, 4 e 5 classificadas como satisfatórias pelo MEC. Em Goiás, os cursos que obtiveram notas 1 e 2 ficaram distribuídos da seguinte forma:
Nota 1
– Faculdade Zarns, em Itumbiara
– Unicerrado, em Goiatuba
– Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan), em Aparecida de Goiânia
– Universidade de Rio Verde (UniRV), nos campi de Goianésia e Formosa
Nota 2
– Universidade de Rio Verde (UniRV), nos campi de Aparecida de Goiânia e Rio Verde
– Faculdade Morgana Potrich (Famp), em Mineiros
– Centro Universitário de Mineiros (Unifimes), em Trindade e Mineiros
Segundo o MEC, os cursos que alcançaram conceitos 1 e 2 passarão por ações de supervisão conduzidas pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). Para os cursos com nota 1, o ministério prevê a suspensão do ingresso de novos alunos ou a redução do número de vagas, conforme o desempenho, além da suspensão da participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais.
Já os cursos com nota 2 poderão sofrer redução de vagas ou ficar impedidos de ampliar a oferta. Aqueles que apresentarem entre 40% e 50% de concluintes considerados proficientes também perderão o acesso ao Fies.
O Enamed funciona como uma modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) voltada especificamente aos cursos de medicina e permite o aproveitamento dos resultados em processos seletivos de programas de residência médica.
De acordo com o MEC, 351 cursos de medicina em todo o país participaram do exame no ano passado. Desse total, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que reúne instituições públicas federais e privadas. Entre esses cursos, 67,1% obtiveram conceitos satisfatórios, enquanto 99 (32%) ficaram nas faixas 1 e 2.
Em nota, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o objetivo do Enamed consiste em traçar um diagnóstico da formação médica no país, identificando tanto as instituições com bom desempenho quanto aquelas que precisam avançar na qualidade do ensino.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) ressaltou, em publicação nas redes sociais, que nenhum curso de medicina goiano alcançou a nota máxima no Enamed. A entidade avaliou que os resultados evidenciam os impactos da abertura indiscriminada de escolas médicas sem estrutura técnica e prática adequada para a formação de profissionais.
O Cremego também defendeu a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed), proposta que tramita no Congresso Nacional e que, segundo o conselho, permitiria uma avaliação mais aprofundada do ensino médico.
A Faculdade Zarns informou que não recebeu comunicação oficial sobre o resultado, mas destacou que o Enamed cumpre o papel de instrumento diagnóstico e orienta ações já em andamento. A instituição afirmou ainda que mantém o compromisso com a melhoria contínua dos processos acadêmicos. As demais instituições citadas não responderam até a última atualização da reportagem.









