STF Decide Contra Lei de Autolicenciamento Ambiental do RS

Compartilhe

Foto: Agência Brasil

Lei gaúcha autoriza de forma imediata 31 atividades com alto e médio potenciais de poluição

O Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou maioria de votos para restringir a aplicação da lei do autolicenciamento ambiental do Rio Grande do Sul, parte das polêmicas alterações introduzidas pelo novo Código Estadual Ambiental, sancionado pelo governador Eduardo Leite (PSDB) em janeiro de 2020. A análise foi suspensa na última sexta-feira (6), após pedido de vista feito pelo ministro Dias Toffoli, mas sete votos já foram contabilizados a favor da limitação da legislação estadual.

Além do voto do relator, Cristiano Zanin, os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso (presidente), Edson Fachin e Luiz Fux declararam a lei inconstitucional. Já Gilmar Mendes e André Mendonça se posicionaram de forma divergente, defendendo a legalidade do autolicenciamento ambiental no estado.

O ministro Dias Toffoli dispõe agora de até 60 dias para apresentar seu voto e devolver o processo para a continuidade do julgamento. Enquanto não houver decisão definitiva, os ministros que já votaram podem reconsiderar suas posições.

Em seu voto, proferido em agosto, o relator decidiu que as licenças introduzidas — Licença Única e Licença Ambiental por Compromisso (LAC) — sejam utilizadas apenas para atividades e empreendimentos de baixo impacto ambiental. Atualmente, a LAC permite a aprovação imediata de 49 tipos de atividades econômicas, incluindo 31 classificadas como de alto e médio potenciais de poluição, independentemente de seu porte.

A ação, que está sendo julgada pelo STF, foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2020, argumentando que a legislação estadual violava a Constituição e colocava o meio ambiente em risco. O processo está aguardando julgamento desde 2021.

“Esta decisão, apesar do pedido de vista do Toffoli, que parece conveniente demais enquanto tramita o PL do Licenciamento Ambiental no Senado, corrobora com o que o Instituto MIRA-SERRA vem denunciando entre as normas gaúchas com retrocessos ambientais, ensejando o agravamento dos eventos climáticos extremos”, declarou Lisiane Becker, presidente do Instituto Mira-Serra.

Quando o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) aprovou, em setembro de 2021, a resolução que regulamenta a emissão da LAC para as atividades sujeitas ao licenciamento no estado, Lisiane alertou sobre o risco do Consema definir critérios para um tema que já estava em análise pelo STF.

Na época, a então presidente da Fepam e atual secretária estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, afirmou que, caso houvesse decisão contrária ao autolicenciamento no STF, o modelo poderia ser revisto no estado.

“O dano não volta atrás”, criticou, na ocasião, Lisiane Becker.

Procurada pela reportagem, a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) afirmou que, “seja qual for a decisão tomada quando da sua conclusão, ainda que se guardem eventuais divergências, ela será cumprida”. Em nota, a secretaria enfatizou que o parecer parcial no STF “não declara inconstitucionalidade do LAC, mas apenas ajusta sua aplicação às atividades de baixo impacto”.

Ainda segundo a Sema, “o julgado no STF está analisando o LAC na sua relação com o impacto ambiental, ou seja, a modificação do meio ambiente provocada por ação humana, que pode ser benéfica, prejudicial, temporária ou duradoura. Já na legislação infraconstitucional do Estado, trabalha-se com o risco ambiental, determinado pelo cruzamento entre o porte e o potencial poluidor das atividades”. Para a secretaria, caso o parecer parcial no Supremo seja confirmado, será necessário que o Estado leve ao Consema discussões sobre a relação entre o risco e o impacto de cada atividade sujeita ao licenciamento.

O que é o autolicenciamento ambiental no RS?

A Licença Ambiental por Compromisso (LAC) é descrita “como um procedimento eletrônico que autoriza a localização, instalação e operação de uma atividade ou empreendimento, mediante Declaração de Adesão e Compromisso (DAC) do empreendedor aos critérios, pré-requisitos, documentos, exigências e condicionantes ambientais estabelecidos pelo órgão licenciador e respeitando as normas definidas”.

De acordo com o documento, a LAC permite, em um único processo, validar a viabilidade ambiental do empreendimento, além de autorizar sua implantação e funcionamento. Conforme a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), isso exige que sejam “cumpridos, implementados e mantidos os controles ambientais previstos para a atividade potencialmente poluidora”.

A LAC possui validade mínima de cinco anos e máxima de dez anos, dependendo das características da atividade e do critério adotado pelo órgão ambiental responsável.

Quanto à fiscalização, a resolução aprovada pelo Consema em 2021 destaca que, além dos casos previstos na legislação, o órgão licenciador pode, “mediante decisão fundamentada”, “suspender, cancelar ou anular uma licença emitida, caso sejam identificadas informações falsas, omitidas ou enganosas relevantes para a concessão da licença”.

As obrigações técnica, administrativa, civil e penal sobre as informações e documentos submetidos ao processo de licenciamento para obtenção da LAC são do empreendedor e de seu responsável técnico.

Recentes
Goiana vira embaixadora do Miss Brasil; entenda o cargo
Goiana vira embaixadora do Miss Brasil; entenda o cargo
Entretenimento · 37min
Basileu França abre temporada 2026 com maratona de concertos gratuitos em Goiânia
Basileu França abre temporada 2026 com maratona de concertos gratuitos em Goiânia
Cultura · 1h
Death Stranding 2 chega ao PC e Crimson Desert promete nova era de RPGs
Death Stranding 2 chega ao PC e Crimson Desert promete nova era de RPGs
Cultura · 2h
Polícia Civil investiga mulher suspeita de jogar óleo quente em cão comunitário
Polícia Civil investiga mulher suspeita de jogar óleo quente em cão comunitário
Cidades · 4h
Mais do PortalGO
Larissa — Foto: Reprodução redes sociais
Onde está Larissa? Polícia investiga desaparecimento de adolescente no Jardim Goiás
Testemunhas afirmam que a jovem relatou mal-estar pouco antes de ser perdida de vista pelos colegas 16 mar 2026 · Goiás
Leonardo — Reprodução
Jovem passa 14 dias preso por engano em Goiás após falha em mandado judicial
O verdadeiro investigado pelo crime de tráfico responde ao processo em liberdade desde 2024 16 mar 2026 · Goiás
Foto: Reprodução
Congresso precisa de mais mulheres que sejam exemplo para as novas gerações, destaca Fátima Gavioli
Pré-candidata a deputada federal, Fátima Gavioli defende maior presença de mulheres no Congresso e políticas voltadas à educação. 16 mar 2026 · Política
Imagem: Internet
Álcool aumenta risco de câncer, alertam especialistas
Classificado como carcinógeno do Grupo 1 e aumenta risco de câncer de boca, fígado, e outros. Não há consumo seguro, alertam especialistas. 15 mar 2026 · Saúde
Foto: Adobe Stock
USP explica por que filtro de barro do Brasil é referência
Inventado há mais de 100 anos, filtro nacional é referência. USP explica: poros minúsculos bloqueiam contaminantes. 15 mar 2026 · Brasil
Foto: Divulgação
“Entrego ao povo de Goiás um outro estado”, diz Caiado durante lançamento de pré-candidaturas em Jaraguá
Durante evento em Jaraguá, Ronaldo Caiado afirma que deixa um estado transformado após sete anos de gestão. 14 mar 2026 · Política
Foto: Divulgação
Daniel Vilela afirma que Goiás não aceita retrocesso e não quer dar “tiro no escuro”
Em evento com mais de 200 prefeitos em Jaraguá, Daniel Vilela reforça apoio ao modelo de gestão implantado por Ronaldo Caiado em Goiás. 14 mar 2026 · Política
Foto: Reprodução
Idoso perde aposentadoria pela 2ª vez por erro do INSS
Aposentado desde 2008, José teve benefício suspenso em 2021 e 2024 após sistema do INSS confundi-lo com homônimo. 14 mar 2026 · Goiás
Foto: Reprodução/Instagram de Amado Batista
Amado Batista anuncia morte da filha Lorena aos 46 anos
Amado Batista anuncia morte da filha Lorena, 46, vítima de colangiocarcinoma. Médica, policial e cantora, ela lutava contra câncer. 14 mar 2026 · Variedades
Compramos a casa ao lado: casal descobre erro após 6 meses
Casal mora seis meses na casa errada após erro da prefeitura em financiamento. Imóveis são idênticos. Eles aceitaram trocar de lugar. 14 mar 2026 · Brasil