A criação do Corredor de Biodiversidade do Araguaia (ABC) ganhou um novo e robusto embasamento científico com a publicação de estudos em revistas internacionais de alto impacto. Segundo dados divulgados na Environmental Development e na Land Use Policy, a implementação plena deste projeto — que propõe a conexão entre os biomas Amazônia e Cerrado — possui o potencial de gerar um benefício econômico líquido de até US$ 19,8 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões) ao longo de cinco décadas.
A viabilidade econômica apresentada pelos pesquisadores baseia-se na valoração de serviços ecossistêmicos essenciais, como o sequestro de carbono, a estabilização do solo, a segurança hídrica e, principalmente, a polinização agrícola — fator determinante para a produtividade do agronegócio na região.

O Projeto de Lei 909/2024, de autoria do deputado Ismael Alexandrino (PSD-GO), que tramita na Câmara dos Deputados, sugere a formalização de uma faixa estratégica de 40 quilômetros de largura ao longo dos cursos dos rios Araguaia e Tocantins.
Diagnóstico técnico para os municípios
Um dos pilares do estudo é o desenvolvimento do Índice de Pressão Socioambiental (SPI). A ferramenta funciona como um diagnóstico de precisão para os 108 municípios abrangidos pelo corredor, permitindo que gestores identifiquem onde a expansão urbana, demográfica e econômica exerce maior impacto sobre a vegetação nativa.
Atualmente, a área já conta com 56 unidades de conservação, mas o estudo aponta que elas operam de forma fragmentada. A proposta de integração visa criar um fluxo ecológico contínuo que auxilie na preservação de espécies-guia, como a onça-pintada, sem comprometer a produção agropecuária local. O levantamento indica que a manutenção da vegetação não é apenas uma questão ambiental, mas uma salvaguarda para a economia regional, prevenindo a degradação que compromete a filtragem de água e a regulação climática.
Desafios e conectividade
A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Instituto Onça-Pintada e Oréades Núcleo de Geoprocessamento, revela que o clima é o potencializador ecológico, mas a ação humana é o fator decisivo para a cobertura vegetal remanescente.
Em algumas localidades, como Bernardo Sayão (TO) e Arapoema (TO), a cobertura vegetal nativa já atingiu níveis críticos, próximos a 15%. O corredor busca reverter essa fragmentação, estabelecendo diretrizes territoriais que podem colocar o Brasil em uma posição de liderança na integração entre evidência científica e política pública ambiental, servindo de modelo para outros biomas globais.









