O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi levado, na madrugada deste sábado (7), para uma instalação militar em Assunção. A transferência ocorreu poucas horas depois de o Senado aprovar seu impeachment e de a Justiça determinar que ele cumprisse prisão domiciliar.
A mudança foi feita após manifestantes se reunirem em frente à residência de Peña para exigir que ele fosse mantido em uma unidade prisional. De acordo com informações do jornal paraguaio ABC Color, houve confronto entre policiais e manifestantes antes da saída do comboio. O grupo também arremessou ovos e dirigiu ofensas ao ex-presidente.
Peña foi encaminhado ao Regimento de Escolta Presidencial (REP), unidade das Forças Armadas responsável pela segurança do presidente paraguaio, de seus familiares e de autoridades estrangeiras em visitas oficiais. A justificativa para a transferência foi a necessidade de preservar a segurança diante da tensão no local.
Até a publicação das informações, não havia confirmação de que a transferência tivesse sido autorizada pela Justiça ou pelo Ministério Público. Também não foram divulgadas as condições em que o ex-presidente permanecerá na unidade militar.
Impeachment ocorreu em meio a investigação sobre banco
O Senado paraguaio destituiu Peña na sexta-feira (6), durante uma crise política ligada às dificuldades financeiras do Ueno Bank. O ex-presidente havia anunciado a intenção de renunciar na quinta-feira (5), mas o Congresso manteve o processo de impeachment.
Após a perda do mandato, o Ministério Público determinou a prisão domiciliar de Peña no âmbito de uma investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo a instituição financeira. As apurações consideram suspeitas como abuso de confiança, tráfico de influência e gestão fraudulenta. Peña nega ter cometido irregularidades.
A crise se agravou depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank. O bloqueio de depósitos deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos. Peña manteve participação acionária no grupo controlador da instituição até 2025.
As investigações também analisam relações financeiras do ex-presidente e de familiares com empresas ligadas ao banco. Em sua declaração patrimonial de 2023, Peña informou ter ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, participação que teria sido vendida em abril de 2025. Ele ainda declarou um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no Ueno Bank e um título da empresa de tecnologia financeira Itti.
Mudança no comando do país
Com a destituição de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. A previsão é que ele conclua o mandato, que terminaria em 2028.
Peña também foi convocado a comparecer ao Ministério Público na manhã deste sábado para prestar esclarecimentos no processo que apura as suspeitas relacionadas ao Ueno Bank.
