Uma mina localizada em Minaçu, no Norte de Goiás, passou a ocupar posição estratégica na disputa internacional por minerais usados em veículos elétricos e outras tecnologias avançadas. O projeto Pela Ema, operado pela Serra Verde, foi incorporado pela empresa norte-americana USA Rare Earth em uma operação estimada em US$ 2,8 bilhões, valor próximo de R$ 14 bilhões.
A combinação entre as empresas foi concluída em 3 de setembro de 2026. O acordo envolveu US$ 300 milhões em dinheiro e aproximadamente 126,8 milhões de ações da companhia dos Estados Unidos. Com a transação, a produção brasileira passou a integrar uma estratégia que reúne mineração, processamento e fabricação de ímãs.
Produção deve ser ampliada
O empreendimento produz comercialmente desde 2024 e está em processo de expansão. Segundo as informações divulgadas pela Serra Verde, a operação deve atingir um ritmo equivalente a cerca de 4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2026.
A primeira fase do projeto tem como meta alcançar aproximadamente 6,4 mil toneladas por ano até o final de 2027. Também é estudada uma ampliação adicional que poderá quase dobrar o volume de minério processado antes de 2030.
Quatro elementos estratégicos
A mina de Pela Ema produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Os quatro elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, aplicados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs e equipamentos de defesa.
A Serra Verde afirma que a operação é a única em grande escala fora da Ásia capaz de produzir comercialmente os quatro elementos magnéticos.
China concentra maior parte da cadeia
A relevância do projeto está ligada à concentração da cadeia mundial de terras raras magnéticas. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a China respondeu, em 2024, por cerca de 60% da mineração desses recursos, 91% do refino e aproximadamente 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados.
Um contrato de 15 anos prevê que toda a produção da primeira fase da Serra Verde seja comprada por uma estrutura que conta com participação financeira do governo dos Estados Unidos. O arranjo coloca a produção de Minaçu dentro do esforço internacional para reduzir a dependência da cadeia asiática.
Terras raras estão na lista brasileira de minerais críticos
As terras raras fazem parte da relação de 27 minerais críticos definida pelo governo federal. A classificação considera fatores como risco geopolítico, concentração da produção, possibilidade de substituição e dependência do Brasil em diferentes etapas da cadeia produtiva.
- Prioridade alta: terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio.
- Prioridade média: tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre.
- Prioridade baixa: nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e grupo da platina.
O enquadramento permite que projetos inscritos no Cadastro Nacional de Projetos tenham acesso a instrumentos de fomento da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Entre as medidas está o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, criado para compartilhar riscos e ampliar o acesso a crédito nas etapas iniciais de pesquisa e mineração.
A política também prevê incentivos para pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação e mineração urbana. Os projetos poderão ter de cumprir contrapartidas relacionadas a pesquisa, desenvolvimento e inovação, questões socioambientais e utilização de produtos e mão de obra locais.
O Fundo Garantidor da Atividade Mineral poderá receber até R$ 2 bilhões da União, além de recursos de estados, municípios e empresas privadas. Já o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos terá limite fiscal de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034.
