O Goiás vive uma crise financeira que passou a afetar diretamente a rotina do elenco profissional. Na quinta-feira (5), os jogadores não participaram do treinamento previsto em protesto contra atrasos de aproximadamente quatro meses nos salários, além de pendências relacionadas a direitos de imagem e premiações.
Durante a tarde, atletas, integrantes da torcida organizada Força Jovem e representantes da diretoria se reuniram para cobrar explicações sobre a situação. O encontro contou com a presença do presidente interino, Munir Calixto, e do diretor financeiro, Leonardo Pacheco. Geraldo Neto, candidato à presidência do clube, também acompanhou a reunião, mas não se manifestou, segundo relato do presidente da organizada, Kioma.
Diretoria não apresenta data para quitar débitos
De acordo com Kioma, a conversa terminou sem uma previsão definida para o pagamento dos valores devidos a jogadores e funcionários. O representante da torcida afirmou que os atletas demonstraram insatisfação com promessas anteriores de regularização que não foram cumpridas.
Não tem uma data concreta de pagamento, não tem como falar que amanhã vai pagar o bicho, a CLT ou os direitos de imagem.
Kioma, presidente da Força Jovem, segundo o Diário de Goiás
Munir Calixto informou que uma operação de empréstimo considerada pela diretoria ainda não havia sido liberada. A alternativa citada em reportagens sobre o caso envolve R$ 11,4 milhões junto ao Banco de Brasília (BRB), mas o recurso não resultou, até o momento, no pagamento das pendências do elenco.
Problemas atingem estrutura do centro de treinamento
Além dos atrasos, a crise também teria comprometido o fornecimento de itens básicos no centro de treinamento. Kioma relatou dificuldades para manter produtos usados na rotina do departamento de futebol, incluindo alimentos destinados aos atletas.
Está faltando coisa básica, uma manteiga, um distribuidor de pão, um fornecedor.
Kioma, presidente da Força Jovem, segundo o Diário de Goiás
Torcida protesta antes dos últimos jogos
Cerca de 30 torcedores participaram de um protesto pacífico na Serrinha. Os manifestantes foram autorizados a entrar na sede administrativa e direcionaram as cobranças à diretoria. Os jogadores não foram hostilizados durante a mobilização.
Apesar da paralisação, o elenco mantém o foco nos dois compromissos finais da fase de classificação da Série B. O Goiás está na sétima colocação, com 55 pontos, e ainda busca uma vaga no G-6. A equipe enfrenta a Ponte Preta no Estádio Hailé Pinheiro e depois encara o Sport na Ilha do Retiro.
O time chega à reta final com quatro vitórias e um empate nos últimos cinco jogos, mas a instabilidade fora de campo aumenta a pressão sobre a administração. Os balancetes oficiais do clube apontam déficit acumulado superior a R$ 21 milhões entre janeiro e setembro.
