O Comitê de Supervisão da Meta apontou problemas na forma como as regras das plataformas da empresa vêm sendo aplicadas durante períodos eleitorais. No Brasil, o colegiado citou especificamente as restrições impostas à conta de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Em manifestação divulgada nesta terça-feira (20/10), o órgão avaliou que as políticas antifraude da Meta foram aplicadas de forma excessivamente rigorosa contra as contas de publicidade de Lula. Segundo o comitê, a situação deveria ter sido submetida a uma equipe especializada da própria companhia para uma análise mais aprofundada.
O colegiado funciona de maneira independente e analisa decisões relacionadas à moderação de conteúdo no Facebook e no Instagram. Na avaliação do grupo, episódios recentes no Brasil e nos Estados Unidos mostram dificuldades da Meta em manter procedimentos consistentes durante disputas políticas.
Para o comitê, os problemas aparecem principalmente em duas situações: quando as regras são aplicadas de forma excessiva e acabam restringindo manifestações políticas legítimas ou quando a fiscalização é insuficiente e permite conteúdos capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.
No caso brasileiro, a manifestação ocorre em meio a questionamentos sobre o funcionamento das plataformas no segundo turno da eleição presidencial, disputado entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Meta nega tratamento desigual
Na segunda-feira (19/10), a Meta informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não concede tratamento diferente aos conteúdos relacionados às duas candidaturas presidenciais.
A empresa afirmou que as publicações envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro são submetidas aos mesmos critérios e apresentou ao tribunal informações técnicas sobre os mecanismos utilizados para garantir isonomia.
A manifestação foi encaminhada após determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, que pediu esclarecimentos à companhia sobre as medidas adotadas para evitar tratamento desigual entre as campanhas.
O pedido chegou ao TSE após a coligação do presidente Lula questionar um possível favorecimento ao alcance de conteúdos ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Também na segunda-feira, manifestantes realizaram um protesto nas proximidades das sedes da Meta e do Google, em São Paulo. O grupo criticou decisões de moderação das plataformas e cobrou neutralidade no tratamento de conteúdos relacionados à eleição.
Comitê cobra indicadores públicos
Além do episódio envolvendo a eleição de 2026, o Comitê de Supervisão retomou cobranças feitas à Meta desde o pleito brasileiro de 2022.
O órgão considera insuficiente a divulgação apenas de números gerais, como quantidade de anúncios armazenados ou contas retiradas do ar, e defende a criação de indicadores públicos capazes de medir a eficácia das políticas adotadas durante eleições.
Na avaliação do colegiado, informações mais detalhadas permitiriam verificar tanto o funcionamento das medidas de proteção eleitoral quanto eventuais falhas na aplicação das regras.
