A deputada federal delegada Adriana Accorsi levou a defesa da Lei Maria da Penha ao Colégio Estadual Cora Coralina, em Goiânia, nesta sexta-feira (7/8). Diante de aproximadamente 300 estudantes do ensino fundamental II, ela uniu a celebração dos 20 anos da legislação a um alerta: o país bateu recorde de feminicídios em 2025 e 2026 mantém o mesmo ritmo.
“Precisamos enfrentar a cultura machista e o ódio que alimenta a violência contra as mulheres, principalmente, pela educação. Eu tenho esperança que vocês serão a geração que vai mudar essa realidade”, afirmou.
Com 27 anos de experiência na Polícia Civil, Accorsi explicou que a lei nasceu como resposta institucional à violência doméstica e se tornou uma das três legislações do gênero mais bem avaliadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O que a lei passou a proteger
Durante a palestra, a deputada detalhou as cinco formas de violência reconhecidas pela Lei Maria da Penha após suas atualizações. Estão tipificadas a violência física, a psicológica, a moral, a patrimonial e a sexual.
Accorsi traduziu cada conceito para o cotidiano dos adolescentes. “Se a mulher tem o salário controlado pelo marido, o celular vasculhado, os documentos escondidos, se é humilhada em público ou pelas redes sociais, tudo isso está na Lei Maria da Penha”, ensinou.
A medida protetiva que determina o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e os filhos e a possibilidade de monitoramento eletrônico também foram apresentadas à plateia.
Números que pressionam
A fala de Accorsi ocorre sob o peso de estatísticas que ela própria classificou como inaceitáveis. O Brasil registrou quatro mortes por dia em 2025, recorde histórico. O dado serviu de pano de fundo para a mensagem de que a lei sozinha não basta.
“É uma legislação muito completa, que trouxe avanços no combate à violência contra as mulheres e meninas no nosso país. Mas, sozinha, ainda não basta”, pontuou.
Resgate histórico e recado político
A deputada recuperou a trajetória das mulheres no Brasil para mostrar que direitos hoje consolidados já foram impensáveis. Citou a proibição de votar, de estudar e de trabalhar sem autorização.
A partir desse resgate, mirou discursos que, na avaliação dela, tentam reverter conquistas. “Não podemos aceitar retrocessos nem discursos que tentam normalizar a desigualdade e a violência. Não podemos aceitar que os homens não avancem na sociedade civilizadamente como nós. Não aceitemos essa cultura ‘red pill’ que quer voltar à idade média e ao controle das mulheres”, declarou.
Accorsi reforçou os canais de denúncia, como o Ligue 180, e indicou que levará o formato de palestras a outras escolas. A ideia é que a informação sobre a lei chegue antes da violência, formando uma geração capaz de reconhecer e rejeitar abusos.
