O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, declarou nesta sexta-feira (7) que concederá anistia às pessoas condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 caso vença a eleição. A afirmação foi feita durante sabatina de uma hora e meia no Rio de Janeiro.
Caiado disse que a anistia tem o sentido de pacificar o país. “Isto é uma briga inútil, é uma briga que só traz desgaste. Eu tenho consciência absoluta que eu promover a anistia, este assunto sai da pauta e nós vamos viver um outro momento”, afirmou.
A fala coloca o ex-governador de Goiás em um campo que também é defendido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelos mesmos eventos, e pelo seu filho Flávio Bolsonaro, adversário de Caiado na corrida presidencial.
Durante a entrevista, o candidato buscou equiparar o debate sobre a anistia ao processo que resultou na soltura e na restauração dos direitos políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula foi preso em 2018 e libertado em novembro de 2019. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações, devolvendo-lhe os direitos políticos. Para Caiado, ambos os casos precisam ser superados.
“Essa discussão sobre tentativa de golpe é a mesma que eu buscaria sobre soltar o Lula para ser candidato. Teve uma tentativa de golpe no dia 8 de janeiro? Cada um tem o direito de pensar. E o Lula podia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras?”, questionou.
A proposta deve ser testada nos debates eleitorais. O candidato tende a repetir o argumento de que a impunidade desses acusados é necessária para destravar a agenda econômica. A reação dos demais presidenciáveis e o impacto nas pesquisas dirão se o discurso amplia ou reduz seu espaço na disputa.
Polícia Sul-americana
Caiado, apresentou também a proposta de criação de uma polícia unificada para os países da América do Sul. A ideia, inspirada no modelo de cooperação policial europeu, mira as facções criminosas que operam além das fronteiras nacionais.
“São dez países que compõem a fronteira com o Brasil. Eu os procurarei para montarmos, da mesma maneira que a Europa, uma polícia que transita entre todos”, afirmou durante a entrevista
Caiado disse que, se eleito, fará um périplo pelas nações limítrofes para costurar o acordo. O comando da corporação seria revezado entre os países, e ele tentará ser o primeiro comandante.
Terrorismo doméstico e Forças Armadas
A proposta de integração policial se soma a outra bandeira de Caiado na área de segurança: classificar o crime organizado como “terrorismo doméstico”. Com isso, o candidato quer abrir espaço para a atuação das Forças Armadas na reocupação de territórios dominados pelo narcotráfico.
“As Forças Armadas vão entrar, mas não é para prender. É para resolver. Resolver é reocupar o território. Quem reagir sabe que está reagindo contra as Forças Armadas e contra as polícias de segurança”, explicou.
O candidato citou a necessidade de aprovar uma lei para viabilizar esse emprego militar.
“mexicanização”
Caiado afirmou que o Brasil caminha para a “mexicanização”, termo que usa para descrever o avanço do narcotráfico sobre a economia formal e as instituições.
“O narcotráfico já toma conta da economia formal, está tomando conta dos poderes e elegendo pelas regras democráticas. O Brasil passa a ser um narcoestado”, declarou.
Ele também afirmou ser contra o uso de câmeras corporais por policiais militares, o candidato afirmou que o equipamento inibe a atividade dos agentes e que o Brasil vive um “estado de guerra”.
Privatizações já no dia 1
O candidato do PSD à Presidência afirmou que, se eleito, enviará ao Congresso, já no primeiro dia de mandato, propostas de reforma administrativa e política, além de mudanças na reforma tributária.
“Não vamos mandar tudo de forma fatiada. Eu vou encaminhar tudo. É um momento de urgência”, disse. Entre as medidas, Caiado quer “rever pontos que são fundamentais para que diminua a burocracia”.
O cardápio de privatizações
O presidenciável foi específico ao tratar de estatais. Afirmou que privatizaria os Correios e o segmento de gás da Petrobras, mas não a exploração em águas profundas. Também descartou vender o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Ajuste fiscal e Previdência
Caiado prometeu cortar gastos administrativos e exibiu um discurso de firmeza. “Em 2027, imediatamente, eu poderei tomar medidas para mostrar para a população: ‘Agora entrou um homem aí que tem coragem’. Cortar na carne”, declarou.
No entanto, não detalhou quais incentivos fiscais seriam revistos ou de onde viriam os cortes. Sobre a Previdência, defendeu discutir a sustentabilidade do sistema diante do envelhecimento da população, mas também não apresentou medidas concretas.
Relação com os EUA e terras raras
Questionado sobre o tarifaço americano, Caiado descartou qualquer retaliação. Disse que sentaria para negociar e usaria como argumento as reservas brasileiras de terras raras pesadas.
“Alguém tem o que eu tenho em terras raras pesadas? Se eu fechar a mina de Goiás e de Minas, ninguém produz aço no mundo”, afirmou.
Ele defendeu que o Brasil desenvolva tecnologia para separar os elementos químicos antes de exportar o minério, agregando valor.
Sobre o PIX, foi taxativo: “Isso não está em negociação. É sentimento nacional”.
