O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, anunciou nesta quarta-feira (5) que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) será o candidato a vice-presidente em sua chapa. A definição ocorreu no último dia do prazo legal para as convenções partidárias e pôs fim a uma negociação marcada por tentativas frustradas de formalizar coligações com legendas de centro e atritar com o eleitorado feminino.
Sem o apoio formal de partidos como PP, Republicanos e União Brasil — que optaram pela neutralidade no primeiro turno —, a candidatura optou por uma “chapa pura”, formada exclusivamente por integrantes do próprio Partido Liberal. A escolha frustra o plano original de atrair um nome feminino para a vice, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ou a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, cotadas para reduzir a rejeição ao candidato no segmento.
Até a véspera do anúncio, Gaspar era pré-candidato ao Senado por Alagoas. Em publicações nas redes sociais, chegou a reafirmar sua postulação ao cargo legislativo horas antes de migrar para a chapa presidencial.
Trajetória no Ministério Público e na política
Alfredo Gaspar tem 55 anos e construiu sua carreira jurídica no Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL), onde atuou por 24 anos como promotor de Justiça e procurador-geral de Justiça, não tendo integrado os quadros do Poder Judiciário.
No MP-AL, ganhou notoriedade em investigações de repercussão nacional. Atuou na acusação dos envolvidos na “chacina da Gruta”, que vitimou a deputada federal Ceci Cunha e familiares em 1998, e coordenou as apurações sobre a série de homicídios de moradores de rua em Maceió entre 2010 e 2012. Gaspar presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) e chefiou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos durante o governo de Renan Filho.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo União Brasil com 102.039 votos, a segunda maior votação do estado de Alagoas. Em 2026, filiou-se ao PL para presidir o diretório estadual da legenda. Na Câmara, ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS, colegiado no qual defendeu o indiciamento do filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva — parecer que acabou rejeitado pela maioria da comissão.
Controvérsia jurídica
A indicação ocorre em meio às repercussões de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), instaurado a partir de notícia-crime apresentada pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) durante os trabalhos da CPMI do INSS. A representação atribui ao parlamentar a suposta prática de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos ocorrida no passado.
Gaspar rebateu as acusações, classificando-as como “falsas, levianas e irresponsáveis”. O deputado sustentou que a denúncia consistiu em uma “cortina de fumaça” orquestrada por opositores para desviar a atenção do relatório final da CPMI que pedia o indiciamento de integrantes do governo.
Como reação formal, Alfredo Gaspar compareceu voluntariamente ao Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica de Alagoas para realizar teste de DNA e acionou a PGR e o STF com representação por denunciação caluniosa contra os autores da notícia-crime. Adicionalmente, a cidadã citada no caso divulgou depoimento em vídeo desmentindo que seja filha do parlamentar, afirmando que seu pai biológico é um primo do deputado.
Impactos na corrida presidencial
A escolha de um vice com histórico no Ministério Público e origem nordestina visa criar um contraponto ao PT na região e explorar a pauta do combate à corrupção ancorada nos desdobramentos da CPMI do INSS. Por outro lado, o registro de uma chapa pura sem nomes femininos expõe a dificuldade de Flávio Bolsonaro em ampliar coligações no centro e impõe desafios narrativos ao longo do debate eleitoral.
Com a oficialização na convenção partidária, a chapa será submetida ao registro formal perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
*Edição: Lucas Caetano
