Uma semana depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levar a uma reunião com diplomatas informações falsas sobre a suposta origem venezuelana das urnas eletrônicas brasileiras, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu abrir suas portas. Nesta segunda-feira (3), o presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, anunciou a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, uma série de demonstrações públicas para reafirmar a segurança do sistema que o próprio ministro chamou de “patrimônio da democracia”.
O TSE já havia desmentido a ligação com a empresa Smartmatic. Em nota atualizada em 8 de julho, o tribunal esclarece que as urnas utilizadas nas eleições brasileiras não são fornecidas pela companhia. Mesmo assim, Flávio insistiu no argumento falso durante a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência, no dia 25 de julho.
A pressão sobre Nunes Marques partiu de ministros do STF, que cobraram uma defesa enfática do sistema eleitoral. A resposta veio em forma de ação: a abertura de uma urna eletrônica para estudantes do Distrito Federal e a programação de atividades educativas em todo o país.
“As portas da Justiça Eleitoral permanecem abertas para quem deseja conhecer, acompanhar e fiscalizar o processo eleitoral”, afirmou o ministro.
O TSE deixa de apenas reagir com notas de esclarecimento e passa a agir proativamente, expondo o sistema ao escrutínio público. A semana de transparência pode se tornar um legado para futuras gestões do tribunal.
As demonstrações seguirão ao longo da semana. O TSE e os Tribunais Regionais Eleitorais coordenarão as ações. A expectativa é de que novas desinformações sejam confrontadas com dados abertos e acessíveis.
