A campanha eleitoral em Goiás é tech. O palanque é pop.
Na quarta-feira, 10, o pré-candidato e ex-governador Marconi Perillo (PSDB) disse em entrevista à Jovem Pan News que, se eleito, quer criar no Estado “uma cidade da inteligência artificial e da tecnologia”. Promessa.
Dois dias antes, o governador Daniel Vilela (MDB) apresentou em coletiva de imprensa a GOtech, que, na definição do governo, nasce para levar inteligência artificial e inovação à gestão pública. Já é realidade.
“Um dos compromissos que quero apresentar é a viabilização de uma cidade da inteligência artificial e da tecnologia, criando um ambiente favorável para empresas, universidades, pesquisadores e startups.” Palavras de Marconi.
“A Goiás Tecnologia nasce com o objetivo de ser financeiramente independente, mas tendo como principal missão facilitar a vida do cidadão, oferecendo soluções tecnológicas para a gestão pública do Estado e dos municípios. Ela vai estabelecer parcerias estratégicas e desenvolver ferramentas que tornem o Governo de Goiás cada vez mais tecnológico, acessível e próximo da população.” Palavras de Daniel.
Em 1994, o pai de Daniel, Maguito Vilela, assumiu o governo de Goiás e cumpriu uma promessa barulhenta de campanha: pão e leite diariamente para as famílias carentes.
Na campanha, o tema foi decisivo para a vitória do emedebista. Materializado no governo, ganhou repercussão nacional como política social. Sucesso na vida das pessoas e como case eleitoral.
Quatro anos depois, assumiu no lugar de Maguito o jovem tucano Marconi Perillo, que assumia seu primeiro de quatro governos e chegava embalado para implementar o que foi carimbado como ‘tempo novo’.
Entre as novidades dessa chegada estava o cartão que permitia às famílias sacar o dinheiro que o governo depositava na conta.
A proposta: entregar mais cidadania ante a “humilhação” que significava as pessoas andarem com sacos cheios de benefícios sociais (arroz, óleo etc.) na cabeça, como Maguito fazia.
Discurso de palanque. No centro desse debate Maguito X Marconi, o que estava? A tecnologia e o conceito que a acompanha: inovação, modernização, futuro melhor para todos.
A campanha dos novos tempos ganha, assim, um velho embate retórico de união e separação de corpos em campo de guerra.
Entre as propostas que vêm sendo discutidas para o plano de governo, está a criação de um polo voltado à inteligência artificial, pesquisa e desenvolvimento tecnológico – reforça o material de divulgação da pré-campanha de Marconi.
Potencializar a transformação digital do Estado, com soluções tecnológicas e uso da Inteligência Artificial em áreas estratégicas; A proposta é integrar tecnologia, inovação e eficiência para impulsionar uma nova etapa de desenvolvimento digital em Goiás – define a comunicação do lado de Daniel.
Ponto que une Marconi e Daniel no tema, e os separa naturalmente na disputa pela narrativa do melhor (para o) futuro para Goiás.
O tema é popular. O palanque é imperdível. Quem convence? Quem vence?
Daniel com uma diferença: já faz da promessa uma realidade de governo. Uma das vantagens de quem está no usufruto da máquina do poder no Estado, no momento.
Da parte de Wilder Morais (PL), por enquanto, nada de visão de governo, de Estado ou de futuro de fato para os goianos.
Nada além do conhecido e muito usado ideário: ele será, sim, um bom governador, porque é um senador bom e um homem bom – “La garantía soy yo”.
Definido como pré-candidato do PT na segunda, 8, Luiz César Bueno (PT) acaba de chegar à disputa. Não teve tempo ainda de dizer a que veio. Dirá. Talvez.
