A rede municipal de saúde de Goiânia deve passar por uma reformulação estrutural nos próximos meses, focada na descentralização e modernização do atendimento. O plano, detalhado pelo secretário de Saúde Luiz Pellizzer em entrevista ao jornal O Popular nesta segunda-feira (11/5), busca enfrentar o envelhecimento da infraestrutura atual, onde cerca de 70% das unidades de urgência foram construídas entre o final da década de 80 e o início dos anos 90.
A defasagem cronológica reflete-se na pressão sobre o sistema. De acordo com o titular da pasta, o volume de atendimentos de emergência saltou de 107 mil em abril de 2025 para 136 mil no mesmo período deste ano. Para absorver essa demanda, a prefeitura projeta a construção de oito novas unidades de urgência distribuídas pelos distritos sanitários, com foco na Região Noroeste, além de 35 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e seis Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Telemedicina
Um dos pilares da estratégia para desafogar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) é a implementação da telemedicina. O edital de licitação está previsto para os próximos 45 dias. O objetivo central é realizar uma triagem remota eficaz, já que, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 78% dos casos que chegam hoje às urgências são de baixa complexidade.
Esses atendimentos poderiam ser resolvidos na atenção primária ou via consulta digital. Pellizzer pontuou que há uma ociosidade superior a 60% na atenção básica, enquanto as unidades de pronto atendimento operam sobrecarregadas por situações que não configuram urgência clínica.
Descentralização
No âmbito administrativo, a gestão aposta no Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus). O mecanismo permitirá que 117 unidades gerenciem diretamente recursos para manutenções imediatas, como reparos prediais e compra de insumos básicos, visando agilizar a zeladoria sem depender de processos burocráticos centrais lentos.
Por outro lado, o setor de pediatria ainda enfrenta obstáculos operacionais. Embora o atendimento infantil tenha sido descentralizado para toda a rede de urgência, a prefeitura admite dificuldade no preenchimento de vagas. Um edital de credenciamento para médicos pediatras segue aberto, mas registra baixa adesão da categoria, o que mantém o déficit de profissionais especializados no quadro municipal.
