Há muito de torcida organizada e trabalho firme de militância a reação às notícia em torno da sogra (presa por migração ilegal) do governador Daniel Vilela (MDB). Campanha é isso.
Dias atrás quem estava na mira dos adversários era Wilder Morais, que ninguém saber o motivo real, não votou contra a ida de Jorge Messias para o STF.
Neste caso, puro suco de fogo amigo, porque ele apanhou, e continua apanhando, dentro do PL, dos aliados – mas nem tento – ligados a Gustavo Gayer.
Gayer, o pré candidato a senador contrariado com a candidatura de Wilder, que fechou portas para união dele com Ronaldo Caiado e Daniel para chapa fechada ao lado de Gracinha Caiado. História conhecida.
Também esteve sob fogo o pré-candidato do PSDB, Marconi Perillo. Marconi fez consultoria para Daniel Vorcaro e o Banco Master. Recebeu módicos R$ 14,5 milhões.
Ao se justificar, disse – alguém disse por ele, o que soou mais onusitsdo, quando esclarecido nos bastidores – que era complemento de renda.
Coloquem na conta aí o que houve com Lula. Perdeu para Dani Alcolumbre na votação do Messias. Uma derrota histórica.
Em todos esses momentos o que se ouviu foi: o mundo acabou. Acabou? Tô eu aqui contando desvantagem.
Guerra pressupõe o óbvio: todos têm exército. Todos os bunkers tem seus kamikazes, inclusive. Na primeira oportunidade, o embate vai fundo, ganha ares de fim da terra, e… E a luta continua.
O tamanho do exército, a armada em campo minado e o poder de ação e reação é que contam. E a eficácia das ações e estratégias, evidente.
Qual o tamanho do arsenal e da estrutura de Marconi? E de Wilder? De Daniel? Qual das fileiras pode ser mais letal no corpo a corpo e na hora do combate final?
Marconi segue com agenda no interior. Participou de reuniões na região da Estrada de Ferro o dia todo, na sexta, 8.
Wilder manteve encontros em seu escritório na Capital, durante a semana que passou.
Daniel liderou encontro político com milhares de participantes em Rio Verde no sábado, 9.
Nessas horas, o mais provável é que Daniel e seu staf estejam medindo outra coisa: a temperatura da lealdade interna de seus generais e de seus apoiadores.
Qual aliado colocou a cara a tapa, jogou-se à frente do tiroteio, arriscou-se para defendê-lo? Qual recuou, com medo ou convenientemente? Com quem ele pode contar nessas horas e na hora de governar, agora e caso seja reeleito.
Sob fogo, bem razoável que Marconi e Wilder tenham igualmente reparado nisso, à sua volta. Quem é quem. Quem é alguém com quem podem ou não contar nos momentos de crise, os difíceis, os que importam demais, até as urnas.
Esses momentos que separam os adultos das crianças na sala – os que são leais, dos que se revelam fracos, covardes e inconfiáveis. Isso tem valor incalculável. Teoria e prática. Está na História. Está na literatura maquiaveliana em geral.
Andamos por maio. No início. Vencido o mês, serão mais 50 dias de expectativa. Pré-campanha pro bem e pro mal. Até as convenções. Só depois, do meio pro fim de agosto, começa a campanha. Votação: início de outubro.
É muito chão pra quem tá na chuva de munição caindo: tempo de sobra pra apanhar e bater, ganhar e perder uma eleição.
O que acontece hoje não define o resultado de outubro, mas expõe muita alma desgarrada nas bases. É didático, em muitos sentidos.
Revela muito sobre a guerra, os guerreiros e os meandros da disputa. O mecanismo eleitoral é cruel e sanguinário, quando querem os que o governam.
Nos casos envolvendo Marconi e Wilder, os dois estavam diretamente envolvidos. Eles eram e são os protagonistas. Nos fatos que afetam Daniel, é a sogra o alvo. Não é ele.
Os desdobramentos podem atingir mais flancos? Sim. Como podem ser diluídos na visão elementar de que uma sogra é só uma sogra.
Vejam a sogra de Jair Bolsonaro. Vejam os parentes de políticos no olho do furacão com denúncias graves. O cunhado do Vorcaro, por exemplo.
Aos poucos, a poeira baixa. E aí fica a imagem exposta. Mais desgastada? Talvez. Suficiente pra matar uma candidatura. Quem sabe.
Poderia dizer: quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra. Uma verdade. Mas nem se trata disso. Pedras serão atiradas de lados a lados. Tiros serão disparados a torto e à direita. Bombas vão explodir. Ganha quem fica em pé.
Marconi apanha. Wilder apanha. O PT apanha. Daniel apanha. Quem tem mais poder de fogo vence. As exceções Só confirmam essa regra.
