A Justiça Federal determinou a soltura de Maria Helena de Sousa Netto Costa, empresária presa em Goiânia durante uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga uma rede especializada em migração ilegal para os Estados Unidos. A decisão, proferida menos de 24 horas após a detenção, substituiu a prisão preventiva pelo uso de tornozeleira eletrônica por um período inicial de 90 dias, além de outras medidas cautelares.
A estrutura do esquema
Segundo o relatório da investigação, Maria Helena é apontada como líder de um dos cinco núcleos independentes que compunham a organização criminosa. A PF estima que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 240 milhões entre os anos de 2018 e 2023. No caso específico da empresária, a quebra de sigilo bancário revelou transações suspeitas que somam R$ 45 milhões.
A rede teria facilitado a entrada irregular de pelo menos 463 brasileiros em território norte-americano. O suporte oferecido incluía desde a compra de passagens e logística em países da América Central até o contato direto com “coiotes” na fronteira mexicana. Mensagens de áudio interceptadas sugerem que a investigada possuía experiência em negociar a liberação de brasileiros detidos por autoridades migratórias nos EUA.
Outros envolvidos
Além da empresária, Juliana Rosa Tomé Fróes — responsável pela captação de clientes — também foi liberada sob monitoramento eletrônico. Outros dois investigados, Fabio Rodrigo Fróes e Valéria Divina de Macedo, permanecem detidos. Valéria é suspeita de gerenciar o fluxo financeiro e a logística das viagens. No Amapá, outros dois supostos líderes não foram encontrados e tiveram seus nomes incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol.
A defesa de Juliana Fróes argumenta que auxiliar brasileiros a solicitarem asilo não configura crime, alegando que o pedido de refúgio afasta a clandestinidade. Já os advogados de Maria Helena afirmaram que a soltura reconhece a desnecessidade da prisão e que a cliente colaborará com o processo.
O vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, genro da empresária, declarou publicamente que as investigações tratam de fatos sem qualquer relação com sua gestão política ou com a estrutura do Governo do Estado, ressaltando que os episódios citados pela PF remontam ao início dos anos 2000.
