Uma dessas sabedorias populares ensina que política é o único lugar onde morto ressuscita.
O presidente Lula morreu e desmorreu em poucos dias. Muitos foram os convidados para a ceia em seu velório.
Morreu quando perdeu para Davi Alcolumbre a votação no Senado que matou a ida de Jorge Messias para o STF.
Morreu com pesquisas colocando-o em empate técnico ou em desvantagem numérica em um hipotético segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Lula vive morrendo e desnorteando. Desmorreu com a operação da Polícia Federal que atingiu em cheio o presidente do União Brasil, Ciro Nogueira.
Desmorreu com toda a repercussão em torno de seu encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula tem com ele que não há crise maior que o dia seguinte.
Dia sim, outro também, ele dribla uma crise. Segue vivo pra contar sua história.
Uma coisa é torcida organizada contra ele e o PT. Outra coisa é vencê-lo de uma vez por todas.
Essa resignação, essa resiliência, essa petulância – aviso de trocadilho pobre, mas intencional -, isso tudo conspira a seu favor.
Lula tem sempre uma versão rediviva para ser odiado e amado, ao mesmo tempo.
O adversário de Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro ou quem quer que seja não existe de carne e osso.
É uma ideia, uma perspectiva, uma imaginação, o que não morre.
O que vive nos admiradores, mas, principalmente, nos adversários.
Lula vive mais nos outros do que em si mesmo. Mais fácil derrotar-se do que o contrário.
Lula é o contrário. Não se assombre. Lute. Ele não desiste.
