A pregação de um padre durante uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, viralizou nas redes sociais no último fim de semana e provocou polêmica após o religioso criticar a marcha para Brasília realizada por apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL). No sermão, o padre também condenou o uso de armas de fogo.
O padre Ferdinando Mancílio, que atua como Prefeito de Igreja do Santuário Nacional, fez as declarações no maior templo católico do país, dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Em um trecho da homilia, Ferdinando afirmou: “Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília, alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo, e dizer que está defendendo a vida. Mentira! Quer o poder. Acho que você entende o que eu estou dizendo. Para onde que eu quero ir? A favor da vida ou a favor da morte?”
Na sequência, o padre criticou cristãos que defendem armas de fogo. Ele relatou uma conversa no próprio santuário e respondeu ao argumento com uma comparação: “‘Padre, eu sou cristão’, me disse uma pessoa aqui no santuário. ‘Mas eu sou a favor das armas’. Não tem jeito. É impossível. A arma só tem uma finalidade: ferir e matar. E alguém também me disse, ‘o machado também mata’. E eu lhe respondi: ‘mas sua finalidade é outra’. De que lado nós estamos?”, questionou.
O padre fez a pregação durante uma missa no dia 25 de janeiro, mas o conteúdo ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias, após a gravação circular na internet.
A marcha para Brasília teve liderança do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele saiu de Paracatu (MG) em 19 de janeiro e percorreu cerca de 240 quilômetros, até chegar a Brasília em 25 de janeiro.
Ao concluir a caminhada, Nikolas e outros apoiadores de Bolsonaro participaram de um ato em Brasília para demonstrar apoio ao ex-presidente, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal.
O ato no Distrito Federal terminou com um episódio grave durante a chuva: um raio atingiu manifestantes e deixou dezenas de feridos. O incidente levou ao menos 41 pessoas ao hospital.
Bolsonaro recebeu condenação de 27 anos de prisão por golpe de Estado e outros crimes e cumpre pena há cerca de dois meses. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Santuário Nacional de Aparecida informaram que não vão comentar o caso.






